Ana Rodrigues
A Direção Geral do Património Cultural (DGPC) pretende classificar o bordado de crivo de São Miguel da Carreira, de Barcelos, como património imaterial. O período de consulta pública foi aberto dia 19 de julho e dura por um período de 30 dias. O anúncio foi publicado em Diário da República.
Segundo aquela publicação, a proposta prevê a integração no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial do projeto “Arte de Bordar o Crivo em São Miguel da Carreira” e foi apresentada pelo gabinete para o Património Cultural Imaterial do município de Barcelos, do distrito de Braga, em 2022.
O período de consulta pública já começou e o anúncio disponibiliza os elementos do processo de inventariação do bordado de crivo, que é um tipo de bordado a branco baseado na técnica do desfiado, ou seja, na remoção de fios a um tecido pré-existente. Após a conclusão do período da consulta pública, a DGPC tomará uma decisão no prazo de 120 dias.
A confeção do bordado de crivo passa por sete fases: riscar, alinhavar, rematar, marcar, tirar fios, tecer e bordar, estando inicialmente associado ao têxtil para o lar, é também usado em contexto religioso, decorando toalhas de altar ou de batizado.
A arte do crivo adquiriu predominância a partir da segunda metade do século XIX, em paralelo com o bordado das Terras de Sousa e a renda de filé de Felgueiras. Comercializadas em abundância em Guimarães, Porto e na zona da Lixa, o número de encomendas tem vindo a reduzir.
“Atualmente, apenas quatro bordadeiras, pertencentes a três unidades produtivas artesanais, dominam todas as fases de produção do bordado de crivo, entregando-se também a tempo integral, ou quase integral, a esta arte têxtil”, lê-se em notícia da Lusa. A estas somam-se outras bordadeiras que trabalham apenas parcialmente quando recebem encomendas.