07 janeiro 26
Empresas

Bebiana Rocha

Bloomati focada no cliente e nos produtos diferenciadores

“Se formos todos iguais, passamos a paisagem”, afirma André Carvalho, da administração da Bloomati, marca de malhas sustentáveis da Carvema, criada em 2017, em entrevista ao T Jornal. Consciente de que hoje é necessário reinventar-se diariamente para acompanhar as necessidades dos clientes, o representante da terceira geração da empresa tem trabalhado no sentido de reforçar uma estratégia interna bem definida e de valor acrescentado.

Nesse caminho, um dos principais desafios tem sido fazer os clientes perceberem que devem olhar para o produto para além do fator preço, valorizando o serviço e a exclusividade do produto. “Quem quer um Bugatti paga pelo Bugatti, não compra um Bugatti pelo valor de um Citroen”, estabelece, traçando um paralelo claro para justificar que a sustentabilidade, a funcionalização das malhas e o acompanhamento personalizado ao cliente sustentam um preço mais elevado face ao de outros mercados.

Durante o ano de 2025, a Bloomati apostou fortemente no desenvolvimento de malhas direcionadas a nichos, sobretudo no segmento de moda. O melhor exemplo do reconhecimento desse esforço foi a malha premiada na mais recente edição da ISPO Munich.

ISPO Textrends Prémio Bloomati

“Uma cultura de inovação constrói-se com base na constante aprendizagem e análise das necessidades do cliente”, sublinha André Carvalho em entrevista, demonstrando que a empresa tem o trabalho de casa feito.

Em termos de desenvolvimento de produto, 2025 ficou marcado por uma forte aposta na viscose com selo Lenzing, em resposta à procura crescente por opções premium em roupa interior. A Bloomati explorou misturas neste sentido e o resultado traduziu-se em malhas “com um toque fabuloso e características antibacterianas”.

Esta aposta nos celulósicos reflete-se diretamente nos produtos com maior procura na empresa, como o “interlock ponto roma 77% viscose, 15% poliamida, 8% elastano, com acabamento young skin, o jersey 55% tencel, 5% elastano com acabamento cool summer touch, bem como o interlock 100% algodão com acabamento luxury care e o jersey 92% algodão, 8% elastano, com acabamento bloom”, enumera.

Em paralelo, ao sentir uma maior exigência por provas de sustentabilidade, a empresa reforçou o investimento em certificação, tendo integrado mais recentemente a Regenagri no seu portefólio, ligada à agricultura regenerativa.

“No sector têxtil, que é mais volátil, a ideia da Bloomati passa por apresentar produtos diferenciadores, com qualidade e baixo impacto ambiental. Assentes no valor acrescentado. Acredito que, quando o produto é diferenciador e sustentável, temos um maior potencial de conquistar mais mercados. Apesar do preço ainda ter peso, o made in Portugal também conta muito para o cliente”, reforça o responsável.

O ano de 2025 foi melhor do que o anterior para a empresa, ainda que André Carvalho o descreva em conversa de forma modesta como “um ano de consolidação”. “Um período marcado pela continuidade da afirmação da marca, pela procura de novos mercados, pela apresentação de novos produtos e por reajustamentos constantes às necessidades dos clientes”.

Fica, assim, claro que a mais-valia da Bloomati não reside apenas no produto, mas também na disponibilidade demonstrada para resolver imprevistos, apresentar soluções de forma proativa e promover uma relação transparente e próxima. “O mercado atualmente funciona de sinergias, além disso o cliente dá valor à relação interpessoal. Na Bloomati tentamos garantir que somos parceiros dos nossos clientes”.

A modernização da comunicação tem sido outro eixo de trabalho prioritário. O objetivo passa por torná-la mais próxima, instantânea, interativa e segmentada. Nesse sentido, foi criada uma conta de WhatsApp, através da qual, em vários grupos, a marca comunica em primeira mão as novidades a clientes, fornecedores e potenciais parceiros.

É também através destes canais que a Bloomati divulga um serviço especial: o stock de malha a metro, uma opção pensada para quem procura pequenas quantidades, permitindo criar um carrinho de compras sem mínimos, a partir de malhas em stock. Sempre que estas ficam disponíveis, são comunicadas diretamente nos grupos criados para o efeito.

Bloomati malhas

“A digitalização é um meio essencial neste ramo”, afirma André Carvalho, sublinhando que vai muito além das redes sociais, incluindo o tratamento de dados. “A digitalização permite um maior controlo da produtividade e o cumprimento das necessidades do cliente de forma exigente”.

A conversa estende-se depois aos mercados e aos passos críticos para a consolidação desta jovem, mas já sólida e bem-sucedida, aposta do grupo Carvema. “O produtos da Bloomati estão tanto direcionados para o segmento moda como para o desporto, com vários acabamentos funcionais que temos apresentado nas feiras. No entanto, a procura do cliente Bloomati vai mais no sentido da moda”.

Em termos geográficos, a Bloomati trabalha bem mercados como o alemão, inglês, holandês, búlgaro, polaco, eslavo, além do mercado nacional. Questionado sobre o interesse manifestado em 2022 na expansão para os Estados Unidos, o empresário refere que o primeiro contacto já foi feito, embora reconheça que as tarifas possam dificultar o alcance dos objetivos definidos. Ainda assim, reforça que “a persistência é essencial” no sector.

As feiras têm desempenhado um papel central no percurso da Bloomati, tanto na divulgação da marca e dos produtos como na abertura a novos mercados e clientes. Em 2026, a presença continuará em certames como a Munich Fabric Start e a Première Vision, estando também a ser ponderada a participação na Milano Unica e a exploração de feiras no mercado nórdico.

Os passos críticos para a consolidação da Bloomati passam, segundo André Carvalho, por continuar a trilhar o caminho da sustentabilidade com validação do cliente. “Quando o cliente começar a trilhar também na plenitude este caminho julgo que chegaremos a um ponto onde a qualidade e o resultado que o produto nos pode trazer passará a existir uma maior procura pelo mesmo”, insiste.

Os pilares estratégicos da marca assentam “na otimização de processos e operações, na redução de desperdício, nas garantias de qualidade, na sustentabilidade económica, na geração de leads, na criação de relações duradouras com os clientes para fidelização e crescimento conjunto, na digitalização, numa comunicação clara com as equipas e na capacidade de adaptação a um mercado em constante mudança”, concretiza.

LabDip - Laboratorio de cor Bloomati

Falou-se também de desafios, um que André Carvalho identifica no imediato prende-se com a mudança de mentalidades. “O que era certo há 20 anos, não o é hoje. Existe a necessidade de olharmos para a indústria com outros olhos. Sendo as empresas feitas de pessoas, isso implica mudar mentalidades para chegar a uma cultura nova. Uma cultura que se quer de inovação constante, de aprendizagem, de análise das necessidades do cliente ao pormenor, com parcerias estratégicas relevantes com valor”, conclui.

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