05 novembro 25
Sustentabilidade

Bebiana Rocha

Be@t Show dedica os últimos episódios aos biocompósitos e à circularidade

Os episódios mais recentes do Be@t Show, transmitido à terça-feira à noite na RTP2, continuam a aproximar o público do futuro da bioeconomia têxtil. Sob os títulos “Quem quer casar com o têxtil?” e “Porque é que a circularidade é um bom relacionamento?”, o programa conduzido por Joana Barrios tem mostrado como a ciência, a inovação e o design se cruzam para tornar o setor mais sustentável.

No episódio 4, o foco esteve nos biocompósitos – materiais que unem a leveza e resistência dos têxteis com novas aplicações em áreas como a construção, a aeronáutica, a indústria automóvel e até o setor militar.

Cristina Oliveira, investigadora do CITEVE, explicou que um compósito é constituído por duas tipologias de materiais: um reforço têxtil e uma matriz polimérica. Quando combinados, dão origem a um novo material – o compósito. No caso dos biocompósitos, pelo menos um dos componentes tem origem biológica, sendo o ideal que ambos o sejam.

Também do CITEVE, Beatriz França trouxe uma explicação prática, comparando o compósito a uma tosta: o tecido funciona como o pão e a matriz polimérica como o queijo, elemento essencial para garantir a coesão estrutural. O processo de prensagem funde estas partes, dando origem a um produto único. A investigadora adiantou ainda que estão a ser estudadas formas de conferir maior flexibilidade aos materiais, através de termoconformação.

Duas empresas portuguesas marcaram presença neste episódio: TMG e ERT.
Na TMG, Nuno Lima sublinhou que a preocupação ambiental faz parte do ADN da empresa, revelando que já existem materiais no mercado com 92% de carbono renovável, utilizados, por exemplo, pela Volvo. Aurelino Fertuzinhos, também da TMG, explicou que trabalham com biorevestimentos – materiais multicamada com fibras naturais na estrutura principal, aumentando o teor biológico das peças. Um dos testes mais comuns é a aplicação destes materiais em painéis de porta de automóveis. Para a empresa, integrar o projeto Be@t tem sido essencial pelo networking e pela partilha de conhecimento que proporciona.

Na ERT, David Macário apresentou a unidade industrial, que lamina, corta, costura e reveste materiais têxteis para o interior automóvel. “O Be@t permitiu-nos adquirir conhecimento e validar na prática que os nossos equipamentos conseguem produzir biocompósitos”, afirmou. O responsável explicou que o processo assenta em tecnologias já existentes de termoconformação e prensagem, onde várias camadas alternadas de tecido e resina são sobrepostas e fundidas num único produto. O maior desafio, acrescenta, passa por convencer o cliente de que os novos materiais são mais sustentáveis, mantendo as características técnicas e um preço competitivo.

O episódio contou ainda com a participação de Cíntia Martins, do CeNTI, que abordou o reprocessamento de termoplásticos e dois métodos explorados: termocompressão e sobreinjeção. Foram também discutidos os desafios técnicos relacionados com a estabilidade térmica e a humidade.

O momento final destacou um demonstrador – um apoio de braço 100% biobased, feito a partir de desperdícios de fibras celulósicas – e os avanços do desafio Be@t Studio, com o designer Luís Renato, que trabalhou uma felpa americana 100% reciclada pós-consumo, não tingida e com acessórios de materiais naturais.

No episódio 5, o tema central foi a circularidade – e a importância de reinventar as peças têxteis para prolongar a sua vida útil. Raquel Santos, do CITEVE, destacou que o design de produto deve hoje considerar todo o ciclo de vida do artigo.

Já Joana Gomes, também do CITEVE, revelou que a equipa está a desenvolver um processo inovador de remoção de cor e estampados, que não altera as propriedades do tecido e reduz significativamente o consumo de recursos, em comparação com o retingimento tradicional.

A Riopele foi a empresa em destaque neste episódio. Albertina Reis, Ângela Teles, João Batista e Armando Gonçalves mostraram o trabalho desenvolvido na reinvenção de resíduos e na valorização do pós-consumo em colaboração com clientes. O Tenowa foi apresentado como um exemplo concreto dessa aposta na circularidade.

O programa contou ainda com a intervenção de Catarina Barreiros, especialista em comunicação de sustentabilidade, que reforçou a importância de tornar acessível ao consumidor o discurso da indústria sobre estas matérias.

Em destaque estiveram também dois produtos inovadores: a Manta Be@t, feita a partir de cascas de pinheiro, folhas de oliveira e resíduos de produção de cerveja, e o enxoval Lameirinho, com dois estampados obtidos a partir de cinzas de caldeira de biomassa e resíduos de poda de videira, resultantes de uma pasta de estampar 100% biológica.

Partilhar