Bebiana Rocha
Ter materiais produzidos a partir de matérias-primas de base biológica, em território nacional e de forma rastreável, foi a grande ambição do be@t. Quatro anos depois, os resultados apresentados comprovam o alcance do projeto: 121 campanhas de sensibilização e comunicação, superando largamente a meta inicial de 29; oito linhas de investigação, desenvolvimento e inovação; mais de 77 publicações científicas; 10 linhas piloto industriais implementadas; 296 programas e ações de capacitação, ultrapassando também a meta inicial de 31; 35 simbioses industriais; quatro plataformas digitais; e 98 produtos desenvolvidos, indo novamente além da meta inicial de 51.
Durante a apresentação realizada ontem, no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, no evento final do projeto, Carla Silva, coordenadora do be@t, destacou que a iniciativa “ganhou uma dinâmica própria”. A sua intervenção foi estruturada em torno dos quatro pilares do projeto: biomateriais, circularidade, sustentabilidade e sociedade.
No domínio dos biomateriais, explicou que o consórcio – composto por 58 entidades representativas de toda a fileira têxtil – procurou trazer para Portugal capacidade de produção de fibras de base celulósica regenerada, nomeadamente linho e cânhamo, reduzindo dependências externas. Já no eixo da circularidade, o foco esteve na exploração de alternativas para o fim de vida dos produtos, através de diferentes tipos de reciclagem e do trabalho conjunto com outras indústrias para reaproveitamento de resíduos, incluindo resíduos alimentares e agrícolas.
O pilar da sustentabilidade centrou-se na validação e criação de métricas, como a quantificação de microplásticos libertados, integrando também o desenvolvimento do DPP. No que diz respeito à sociedade, Carla Silva destacou a aposta na comunicação e na educação do consumidor como práticas desenvolvidas no âmbito do projeto.
Entre as 80 linhas de investigação e desenvolvimento, a coordenadora individualizou um exemplo: a cultura de algodão através de técnicas de hidroponia. Destacou ainda a importância das linhas piloto implementadas, por introduzirem capacidades até agora inexistentes em território nacional, com especial enfoque na Altri, Nau Verde, Lipor e Valérius, ligadas, respetivamente, à produção de fibras de celulose regenerada, à fiação em húmido de linho, à triagem têxtil e à reciclagem.
Carla Silva sublinhou igualmente o valor científico alcançado pelo projeto, refletido em mais de 80 publicações em revistas especializadas. Como exemplos de simbioses industriais, referiu o trabalho desenvolvido com a indústria cervejeira, mas também projetos relacionados com o aproveitamento de resíduos como casca de ovo e amêndoa, entre outros.
No âmbito da formação e capacitação, explicou que os programas foram estruturados em diferentes formatos e dirigidos a públicos distintos, incluindo formação em empresas, criação de guias, programas televisivos, bem como campanhas de comunicação e marketing e ações em escolas. “É possível estarmos em harmonia com a natureza. Temos é de saber medir o que fazemos”, concluiu.