19 abril 22
Indústria

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ATP: teto máximo de 400 mil euros nas ajudas “é muito curto”

O governo decidiu atribuir às empresas um auxílio direto de 30% sobre o aumento do custo energético na produção até um teto máximo de 400 mil euros por empresa, mas Mário Jorge Machado, presidente da ATP, considera essa ajuda “muita curta”. Em dois sentidos: não só o limite dos 400 mil euros, mas também o percentual – “estávamos a propor 70%”.

“O sector precisa que as medidas sejam revistas, o país precisa que as medidas sejam revistas”, até porque “estamos a falar de um sector que exporta mais de cinco mil milhões de euros e empresa mais de 140 mil pessoas”, referiu ainda Mário Jorge Machado em entrevista à CNN TV.

O presidente da ATP afirmou que “os resultados das empresas estão já fortemente afetados pelo aumento dos custos da energia” e que muitas unidades já optaram por medidas drásticas de contenção: “as empresas já estão a adaptar o número de dias que trabalham, mas também já acontece que ao tentarem compensar o aumento dos preços, estão a começar a perder encomendas, o que faz com que o trabalho comece a diminuir muito rapidamente”.

O aumento do custo das energia – principalmente do gás – afeta transversalmente toda a fileira, mas em particular as empresas de acabamentos, referiu ainda. Neste contexto, “os acabamentos estão a ser muito impactados e “se um dos elos da cadeia fraquejar, toda a cadeia corre o risco de implodir”.

Não será por isso de admirar que, num quadro em que se afigura impossível transferir todos os aumentos para os clientes, “já está a acontecer as empresas perderem clientes” para outros mercados.

Mário Jorge Machado reforçou ainda a necessidade de o Governo aceitar o regresso do lay off simplificado como medida de contenção das despesas com o trabalho – mas para já o Ministério da Economia não deu qualquer indicação de que aceitaria uma proposta nesse sentido.

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