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O programa europeu Sudue – que financia iniciativas conjuntas entre Portugal, Espanha e o sul de França – está a patrocinar uma série de associações e outros organismos interessados na promoção de ferramentas conjuntas que sirvam de apoio ao desenvolvimento das pequenas e médias empresas regionais.
A ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal é uma dessas organizações e tem em mãos a implementação daquilo que, no futuro, poderá vir a ser uma espécie de selo de proveniência, o ‘made in Europe’, sob a designação de projeto Intertex.
Numa sessão que decorreu no MODtissimo, Ana Dinis, responsável da ATP, explicou que neste momento “estamos numa fase de desenvolver a metodologia para a implementação do ‘made in Europe” através da auscultação das reações que o setor fornece quando toma conhecimento da iniciativa.
Segundo explicou, a proposta da ATP que se encontra em cima da mesa tem vários critérios de elegibilidade para que as empresas possam no futuro assumir a capacidade de ostentar a designação ‘made in Europe’. De entre elas, Ana Dinis destaca desde logo a necessidade de as empresas elegíveis serem indústrias: “terão de ter unidades de produção”, disse. Nas quais, por outro lado, incorporem produção europeia num limite mínimo de 60%. Finalmente, as empresas deverão ainda apresentar evidências de responsabilidade social e de responsabilidade ambiental.
Como explicou Ana Dinis, “a ATP está ainda numa fase de validação” do método de elegibilidade, sendo que só posteriormente seguirá para a sua implementação – se for essa a vontade do setor.
O ‘made in Europe’ pode vir a ser um instrumento importante, nomeadamente num quadro em que o mercado valoriza cada vez mais a produção sustentável, realizada num quadro equilibrado de responsabilidade social – como contraponto às produções feitas em países sem quaisquer preocupações de defesa do ambiente, dos recursos naturais e da qualidade de vida dos colaboradores.
Num quadro em que as produções pouco sustentáveis estão a começar a ter dificuldades de permanecerem imutáveis – veja-se o exemplo da discriminação fiscal que os britânicos estão a estudar para a ‘fast fashion’ – o selo ‘made in Europe’ pode ser importante, nomeadamente no que tem a ver com a internacionalização e o aumento das exportações.
Para além da ATP, fazem parte do projeto – que se divide em várias valências – a COINTEG (Galiza), ATEVal (Valência), Moda CC (Catalunha), ACCIO (a AICEP da Catalunha), UIT Sud (sul de França) e a municipalidade de Igualada (província de Barcelona), que espalham os seus interesses corporativos por várias vertentes do setor têxtil e do vestuário.