Bebiana Rocha
A ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal reuniu na passada sexta-feira as tinturarias associadas na sua sede em Vila Nova de Famalicão. Durante o encontro, foram partilhadas dificuldades, desafios e ideias sobre o aumento do custo da eletricidade, do gás, da biomassa e dos produtos químicos.
Ricardo Silva, presidente da ATP, resumiu ao T Jornal que se tratou de um momento de partilha de ideias “para termos uma mensagem mais unificada a levar junto do Governo e das entidades com que a ATP dialoga constantemente”. “Uma conclusão difícil, mas real, é que os preços estão a aumentar. Não sabemos exatamente como vão variar de semana para semana, mas o aumento é uma realidade dura de se viver”, acrescentou.
Mário Jorge Machado, vice-presidente da ATP, reforçou que o Governo tem de apoiar as empresas na gestão destes aumentos de custos, caso contrário o sector corre o risco de perder competitividade e capacidade exportadora.
Amanhã, a ATP participará numa reunião com o Ministro da Economia e da Coesão Territorial, com o objetivo de apresentar as preocupações das empresas e debater soluções para reduzir os custos energéticos e apoiar o setor.
“Os custos estão 50% mais altos desde a Guerra na Ucrânia. Com o conflito no Médio Oriente, os aumentos superaram os 70% em relação ao que tínhamos anteriormente. As empresas não conseguem repassar imediatamente estes aumentos para o mercado, o que se traduzirá em prejuízos, sobretudo para as que atuam nas áreas de tinturaria e acabamentos”, afirmou Mário Jorge Machado, sublinhando que, caso o conflito se prolongue, a viabilidade de algumas empresas poderá estar em risco.
Refira-se que já passou quase um mês desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram um ataque militar contra o Irão. A União Europeia está a acompanhar com cuidado esta situação energética e, esta terça-feira, os Ministros da Energia da UE reúnem-se em encontro extraordinário para discutir a segurança do aprovisionamento energético face à crise provocada pelo conflito.
Por último, a Associação Portuguesa para a Eficiência Energética e Promoção da Cogeração alertou na passada semana à Agência Lusa que a indústria portuguesa poderá perder competitividade face à espanhola, o que confirma a necessidade de uma ação urgente por parte do Governo.
“Enquanto em Portugal encerraram 43 unidades de cogeração nos últimos cinco anos, em Espanha aposta-se fortemente nesta fonte energética”, recordou, referindo-se ao apoio concedido pela Comissão Europeia, no valor de 3.100 milhões de euros ao longo de dez anos, destinado a projetos industriais que utilizem esta tecnologia.