02 junho 26
Economia

Bebiana Rocha

ATP lança inquérito para contestar em Bruxelas taxas sobre fios de poliamida da China

A Comissão Europeia pretende aplicar taxas alfandegárias definitivas entre 64,4% e 72,3% sobre fios de poliamida originários da China. Neste contexto, a Associação garantiu uma Audição em Bruxelas, onde irá intervir diretamente perante a DG Trade para defender as empresas portuguesas do setor.

Para fundamentar tecnicamente a posição da indústria e consolidar a contestação à medida, a Associação necessita de dados concretos. Nesse sentido, apela às empresas associadas e não associadas para o preenchimento de um inquérito até dia 5 de forma a avaliar: a dependência destes fios por parte da indústria transformadora, a existência (ou inexistência) de alternativas europeias adequadas, bem como o impacto nos custos de produção, na competitividade, nas exportações, no emprego e no investimento. Importa ainda perceber o risco de transferência de encomendas ou de produção para países terceiros.

Caso a taxa avance, importa também enquadrar que “o custo da nossa matéria-prima dispara, mas o produto acabado continuará a entrar na Europa com taxa zero vindo da Ásia”. Esta assimetria regulatória tenderá a enfraquecer diretamente a confeção e a tecelagem nacional, em benefício das grandes plataformas de e-commerce e dos distribuidores externos, alerta.

A ATP tem vindo a defender que qualquer medida deve considerar o impacto sobre toda a cadeia de valor têxtil e vestuário, incluindo malhas, meias, seamless, vestuário desportivo, lingerie, swimwear, têxteis técnicos e outras aplicações industriais que incorporam estes fios.

Para Bruxelas, serão apresentados apenas dados agregados sobre o impacto no emprego e na atividade económica, nunca dados individuais das empresas.

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