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A Comissão Europeia admitiu ajudas diretas até 400 mil euros às empresas (35 mil para as empresas agrícolas) afetadas pela invasão russa da Ucrânia e pelo aumento brutal do custo das energias, no âmbito da aprovação de um quadro temporário de crise para permitir aos Estados-membros flexibilizarem as regras de auxílios estatais de apoio à economia. A ATP, uma das primeiras a solicitar essa medida, aplaude a decisão.
Mário Jorge Machado, presidente da ATP, disse ao T Jornal que a medida é essencial para a superação da crise que se abateu sobre a economia e a generalidade dos sectores, sendo “agora necessário perceber-se quanto e quando esses apoios vão realmente chegar às empresas”. Para Mário Jorge Machado, a subvenção direta é não só mais eficaz no curto prazo, como não implica o aumento das dívidas das empresas – o que sucederia com o apoio através de linhas de crédito dedicadas.
Os apoios de cada Estado podem ser concedidos sob qualquer forma, incluindo subvenções diretas, e não têm de estar associados ao aumento dos preços da energia, porque o conflito no leste da Europa gerou, só por si, perturbações nas cadeias de abastecimento, refere a Comissão.
Mais de metade das empresas têxteis está a efetuar paragens temporárias devido à escalada dos preços da energia, segundo a ATP, que alerta para a iminência de insolvências se não forem implementados mecanismos como o lay-off simplificado como medidas integrante do pacote de ajudas diretas às empresas.
“O setor é muito resiliente, as empresas resistem o mais que podem, mas, a continuar esta situação durante mais semanas, estou infelizmente convencido que vamos ter situações de insolvência por as empresas não terem sido ajudadas, nem ter havido mecanismos para permitir que elas pudessem ajustar-se a esta situação”, afirmou Mário Jorge Machado em declarações à agência Lusa.
Segundo o presidente da ATP e até ao momento, a associação tem apenas conhecimento de um caso de encerramento definitivo, mas “cerca de 50% a 70% das empresas” têxteis estão atualmente a efetuar paragens temporárias da atividade alguns dias por semana, para tentar mitigar os efeitos da escalada dos preços da energia.