25 março 22
Empresas

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ATP alerta para risco de paragens em toda a fileira têxtil

A ATP faz soar as campainhas de alarme face à escalada descontrolada dos preços da energia, avisa que mais de metade das empresas da área dos acabamentos está a fazer paragens temporárias e que já há encomendas internacionais a serem desviadas para países como a Turquia. “Comparada com a situação atual, a crise da Covid foi um passeio tranquilo e se não forem adotadas medidas como o lay-off simplificado toda a fileira têxtil pode parar”, alerta o presidente da associação.

Mário Jorge Machado adverte que o sector e o país enfrentam a “iminência de insolvências se não forem implementados mecanismos como o lay-off simplificado no pacote de ajudas diretas às empresas”. Em declarações ao Expresso, o líder associativo reforça ainda que “mais de metade das empresas têxteis do subsector dos acabamentos, designadamente tinturarias e lavandarias, já está a efetuar paragens temporárias de um ou dois dias, devido à escalada dos preços da energia”.

A questão, alerta, é que “se o sector dos acabamentos parar, há um corte no circuito de produção dos têxteis e toda a fileira acabará por parar”. E as consequências já se fazem sentir: “Dada esta situação, a confeção está a perder encomendas da nova coleção para países como a Turquia”.

Por isso, e apesar da possibilidade aberta pela Comissão Europeia de ajudas diretas às empresas até 400 mil euros – “que é preciso ainda perceber quando vão chegar” –, insiste na urgência do lay-off simplificado como mecanismo essencial para a sobrevivência de muitas empresas.

E explica com números: “Uma empresa de serviços na área dos acabamentos com uma faturação de 700 mil euros por mês que pagava 100 mil euros de gás e 35 mil euros em eletricidade, o que corresponde a encargos mensais com custos energéticos correspondentes a 20% das vendas, hoje paga facilmente 500 mil euros em gás e 90 mil em eletricidade, o que representa mais de 80% do valor das vendas”.

“É incomportável”, conclui, lembrando que também a montante na produção os custos da energia são centrais para a fiação. Daí a importância do lay-off simplificado para as empresas. “Parando um ou dois não têm de suportar os encargos de energia e, assim, reduzem perdas, sem ter que fechar de vez”, aponta o líder da ATP.

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