02 março 21
Indústria

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Associações têxteis querem ‘bazuca’ ao serviço da ITV

A ATP e a ANIVEC enviaram ao Governo uma carta conjunta em que aconselham a que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) – comummente conhecido como a “bazuca” europeia – seja usado para o desenvolvimento do contexto industrial que permita alavancar o negócio do têxtil e do vestuário nacionais. Sem pretenderem que o financiamento europeu siga diretamente para as empresas, as duas associações querem a criação de uma envolvente que induza a transição ambiental e digital e a aposta nos três eixos integradores destas transições: qualificação, inovação e internacionalização.

Num quadro em que “A Europa é e continuará a ser reconhecidamente o principal centro da indústria da moda no  mundo” e em que “a indústria têxtil e do vestuário de Portugal é um elemento  fundamental desta indústria da moda europeia”, “as empresas portuguesas respondem aos mais exigentes desafios colocados pelas dinâmicas e tendências internacionais de consumo”. E é essa realidade que importa não só não perder, como implementar.

“Com os desafios colocados durante o ano de 2020, assistimos uma a forte recessão de natureza  conjuntural, mas também a uma antecipação e aceleração de tendências estruturais que se  encontravam já em evolução e que vão determinar os modelos de negócio das próximas décadas. Esta nova economia exige uma maior preponderância de fatores de competitividade (novos e  renovados) de maior valor acrescentado. É uma oportunidade que a indústria têxtil e do vestuário  portuguesa e o país não podem desperdiçar”, escrevem as duas associações.

E propõem a aposta em sete eixos fundamentais: rastreabilidade (desenvolver sistemas para salvaguarda, transparência e rastreabilidade de toda a cadeia de fornecimento); desenvolvimento de novos processos produtivos a partir de matérias-primas de  base biológica, reciclada e reutilizada; eficiência produtiva, com vista à redução dos consumos energéticos e à redução do consumo de  água; automatização e robotização; digitalização e virtualização; aposta nas marcas e no retalho; e finalmente o desenvolvimento da EcoDesign International School, plataforma internacional sediada no Porto para a formação de quadros em áreas de interseção da indústria com o design sustentável e as marcas.

A carta conjunta foi enviada para o primeiro-ministro e para os ministros do Planeamento e Ministro da Economia e Transição Digital (e para o secretário de Estado adjunto e da Economia), do Ambiente e Ação Climática, dos Negócios Estrangeiros, do Trabalho, e Solidariedade e Segurança Social, no âmbito da consulta pública do Plano de Recuperação e Resiliência.

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