Bebiana Rocha
A Ameba reuniu ontem no Innside by Meliá Braga a indústria têxtil e vestuário para apresentar as suas soluções baseadas em Inteligência Artificial, direcionadas para equipas comerciais. Após uma breve apresentação do projeto por Cedrik Hoffman, CEO e cofundador da Ameba, e Luís Fonseca, partner em Portugal, seguiu-se um debate que juntou no mesmo painel: João Gomes (Anglotex), Rui Costa (Becri Group), Armando Mota (Protextil) e Shona Curtis-Walcott (Ameba).
João Gomes, Head of Operations na Anglotex, explicou que a sua equipa comercial conta com 20 pessoas e que é fundamental que dominem o ERP para processarem rapidamente a informação. Paralelamente, os comerciais precisam de desenvolver soft skills para criar boas relações, tanto com clientes como internamente com as equipas. Numa altura em que é exigido cada vez mais rigor na informação, a solução da Ameba torna-se uma mais-valia. “As tarefas administrativas são maçadoras. Com a IA, os comerciais vão poder aprender sobre o produto e sobre como comunicar com o cliente, mais do que apenas introduzir dados no sistema”, afirmou.
Quanto à resistência à mudança, João Gomes considerou que tem sido das mais fáceis que já experienciou. Relativamente à competitividade, afirmou que a atenção deve estar focada na própria empresa: “devemos olhar para dentro, para as vantagens competitivas que temos”. Numa nota final, destacou que os clientes serão cada vez mais exigentes, que as empresas terão de apresentar informação cada vez mais detalhada e com maior rapidez, e que será necessário antecipar necessidades. “Para corresponder, é preciso ter as ferramentas certas. No futuro, haverá muitas opções; cabe às empresas escolherem o que melhor lhes serve para estar mais próximas dos clientes e perceber a sua direção. Em anos de transição como os que vivemos, ou somos competitivos, ou ficamos para trás”, concluiu.
Rui Costa, CEO da Becri Group, reforçou a importância de aliviar as equipas comerciais sobrecarregadas, de modo a que a experiência do cliente não seja comprometida. “Há muito trabalho burocrático e tarefas que consomem tempo sem gerar valor. A IA traz tempo para acompanhar melhor o cliente”, explicou. O empresário sublinhou que a adoção de Inteligência Artificial não implica substituir recursos humanos, pois a empatia e as relações continuam a ser essenciais. “Com este tipo de soluções, os comerciais podem evoluir dentro da empresa. O seu papel deixa de ser tão operacional e passa a ser mais de gestão de tarefas, permitindo dedicar mais tempo a clientes e a criar valor para a empresa”. Apesar de países como a China já estarem mais avançados neste tipo de soluções, mostrou-se satisfeito por Portugal estar entre os primeiros a implementar. “A IA veio para ficar; é aproveitar o comboio. Esta é uma oportunidade de crescimento”, concluiu.
Shona Curtis-Walcott, product lead na Ameba, reforçou o potencial da IA, destacando que o objetivo é otimizar o workflow das empresas e reduzir atrasos, sem interferir na dinâmica existente: “não pedimos aos clientes que mudem a forma de trabalhar nem as ferramentas que utilizam. O Protextil, por exemplo, já tem uma base sólida que aproveitamos. É tudo sobre colaboração e fazer progredir a indústria”. A responsável sublinhou ainda a importância da privacidade dos dados, lembrando que o compliance está no ADN da empresa.
Por último, Armando Mota, da Inforcávado, abordou os desafios de desenvolver software à medida das necessidades atuais e com a velocidade com que as coisas mudam. “É necessário um trabalho de preparação enorme para permitir interações intuitivas como as que temos”, salientou, reconhecendo que será preciso atualizar a forma como os dados são introduzidos no sistema – seja por imagem, voz ou outro formato – e garantir que o sistema consegue registá-los corretamente. Com 30 anos de experiência no setor, Armando Mota afirmou que, comparativamente com empresas mais recentes e nativas em IA, no caso da Protextil será necessária uma mudança estrutural, que já começou. “Acredito que a IA vai complementar o trabalho das equipas”, concluiu.