Bebiana Rocha
Mais de 80 empresas encheram ontem a sala de conferências do INNSiDE by Meliá Braga Centro para discutir o futuro da cadeia de abastecimento do setor têxtil e vestuário – um sinal claro de que a Inteligência Artificial aplicada à supply chain deixou de ser tendência para passar a prioridade estratégica na indústria nacional.
Foi neste contexto de forte adesão que a Ameba se apresentou oficialmente ao setor em Portugal. Fundada em 2023 e com sede em Londres, a tecnológica tem como missão transformar a cadeia de abastecimento de um constrangimento operacional numa verdadeira vantagem competitiva, ajudando as empresas a responder a tendências voláteis, prazos cada vez mais pressionados e exigências crescentes de compliance.
A sessão combinou networking com um debate centrado nas vantagens competitivas que a IA pode gerar, sobretudo ao nível das equipas comerciais. Entre os benefícios apresentados, destaca-se a possibilidade de melhorar a performance de entregas on-time em cerca de 10%, através da criação de alertas automáticos e da eliminação de processos manuais de inserção de dados – fatores que reduzem falhas e aumentam a eficiência operacional.
No discurso de abertura, o CEO e cofundador, Cedrik Hoffman, mostrou-se orgulhoso pelas mais de 200 inscrições registadas e sublinhou o forte interesse do setor em utilizar a IA como ferramenta para reforçar a performance empresarial. A escolha de Braga resultou da proximidade com clientes como a Carmafil, a Anglotex e a Becri, que têm contribuído para alinhar a proposta tecnológica com os desafios reais das equipas no terreno.
“Tenho negócios em todo o mundo e nunca vi um ecossistema tão colaborativo como aqui”, afirmou, elogiando a forma como a concorrência é encarada com espírito de camaradagem na ITV portuguesa. “Se uma empresa conquista um novo cliente, é um cliente para a região”, acrescentou, evidenciando a forte interligação entre os vários elos da cadeia de valor.
Outro aspeto salientado foi a organização do chão de fábrica. “Sou alemão e, como tal, valorizo muito a organização. As empresas portuguesas são das mais organizadas e limpas que já visitei”, referiu, destacando ainda que a inovação faz parte do ADN do setor – seja ao nível dos processos, dos materiais ou dos modelos de negócio.
Ao partilhar o seu percurso, Cedrik Hoffman explicou que o projeto começou por focar-se nas marcas, mas um diálogo com a PVH levou-o a olhar para a indústria. Foi então que identificou uma oportunidade clara: apesar de Portugal dispor de maquinaria avançada e sistemas robustos, as equipas comerciais continuam sobrecarregadas com informação. Mais clientes, mais designs, mais dados – e uma complexidade crescente na gestão diária.
Luís Fonseca, partnership manager da Ameba em Portugal e antigo colaborador do Valérius Group, reforçou esta visão. Com formação em Engenharia e experiência na área das operações, recordou o tempo em que se via “rodeado de mapas de Excel, a responder a inúmeros e-mails e a alimentar o ERP”, num contexto em que a informação muda rapidamente e potencia falhas de comunicação.
Na sua perspetiva, a área comercial permanece excessivamente manual e difícil de escalar. “Se queremos apostar num novo cliente ou mercado, temos de contratar mais pessoas”, explicou, sublinhando o impacto estratégico dessa limitação.
É precisamente aqui que a Ameba se posiciona: ao integrar-se nos fluxos de trabalho existentes e ao centralizar informação dispersa por múltiplas plataformas, a solução emite alertas em vários níveis – incluindo junto de fornecedores – criando sinergias com as tecnologias já instaladas. Neste âmbito, foi destacada a parceria com a Inforcavado, através da integração com o software Protextil.
A sessão terminou com a apresentação de um vídeo demonstrativo da plataforma e com um caso de sucesso gravado nas instalações da Anglotex, evidenciando na prática o impacto da ferramenta no contexto industrial.