Bebiana Rocha
Imagem: Allianz Trade
O estudo “Economic Outlook 2026-27: The fog of war”, da Allianz Trade, antecipa uma desaceleração da economia global em 2026, num contexto de condições financeiras mais restritivas e crescente pressão sobre empresas e consumidores.
Para Portugal, a previsão aponta para um crescimento do PIB de 1,9% em 2026, abrandando para 1,4% em 2027. Este desempenho continuará a beneficiar do dinamismo registado no final de 2025 e da execução dos fundos europeus. Ainda assim, a subida dos preços da energia deverá acelerar a inflação para 2,6%, criando novos constrangimentos ao investimento e limitando o poder de compra das famílias nos próximos trimestres.
Publicado no final de março, o estudo considera o atual contexto de conflito no Médio Oriente, assumindo que o seu prolongamento não ultrapassará três meses. Neste enquadramento, a Allianz Trade revê em baixa o crescimento económico global para 2,6% em 2026, menos 0,5 pontos percentuais face às estimativas anteriores. Em paralelo, a inflação deverá atingir 3,2% nos Estados Unidos e 3% na Zona Euro, refletindo o impacto dos preços da energia.
O comércio mundial deverá crescer apenas 1,5%, penalizado pela fragmentação económica e pelo aumento das barreiras comerciais. O relatório antecipa ainda uma nova subida das insolvências empresariais, com maior incidência nos setores intensivos em energia, nos transportes e nas atividades com menor capacidade de repercutir custos.
Num cenário de agravamento do conflito, o risco de uma recessão estagflacionista aumenta. Um eventual bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz poderá fazer disparar os preços da energia, pressionando a inflação e levando os bancos centrais a adotar políticas monetárias mais restritivas.
Em termos globais, a China deverá crescer 4,6% em 2026, enquanto a América Latina poderá revelar maior resiliência, com países como Argentina, Brasil e México a beneficiarem da sua posição como exportadores de matérias-primas.
Os mercados acionistas já refletem estes receios, com quedas estimadas de 8% nos EUA e 10% na Europa.
Num cenário adverso, marcado por um encerramento prolongado do Estreito de Ormuz (superior a três meses), o choque económico poderá intensificar-se: o preço do petróleo poderá atingir temporariamente os 180 dólares por barril e o gás os 200€/MWh, antes de recuar para cerca de 85 dólares e 65€/MWh, respetivamente, no final do ano, à medida que a procura abrande.