21 abril 22
Indústria

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Algodão: alta de preços é “inexplicável”, diz o ICAC

O International Cotton Advisory Committee (ICAC) acaba de fornecer as suas perspetivas para a atual campanha do algodão e aponta para uma produção abaixo do esperado e um novo recorde de preços – que não consegue explicar com racionalidade.

A produção mundial de algodão deverá ser este ano de 26,1 milhões de toneladas, abaixo das previsões anteriores (26,43 milhões), o que será “suficiente para atender à procura”, refere aquele organismo em comunicado. Segundo o ICAC, “a oferta total global de algodão é atualmente de 57,12 milhões de toneladas, enquanto a procura é de 57,13 milhões”, uma diferença “insignificante” que “não explica o aumento de preços” que se verifica nos mercados mundiais.

O ICAC afirma que é difícil precisar a causa da inflação do algodão nos últimos meses, que pelas suas contas atingirá os 156,22 centavos de dólar por libra-peso. “É complicado de explicar, porque os princípios da oferta e da procura parecem estar bem equilibrados” – sustenta a organização. “O aumento contínuo dos preços pode encorajar os agricultores a plantar um número maior de hectares que em anos anteriores”, o que, a prazo, pode influenciar a normalização dos preços – mas não é para já.

Aliás, o ICAC encontra já “sinais encorajadores” para o fim da campanha: as vendas externas de algodão dos Estados Unidos estão a aproximar-se dos números normais. O facto de o país ter uma logística tradicionalmente bem preparada ”deu inegavelmente ao país uma vantagem sobre os países menos desenvolvidos”.

Em África dá-se precisamente o contrário: as operações logísticas são mais lentas e as cargas, que costumam esperar em média duas semanas para transitarem, acumularam novos atrasos nos últimos meses.

Na Índia, outro forte produtor de algodão, as previsões de exportação são de 50 mil milhões de dólares em 2022, contra 41 mil milhões no ano passado e 35 mil milhões em 2020. Mas isso não implica que haja qualquer benefício para os produtores: os custos de produção têm aumentando, nomeadamente porque o preço dos pesticidas e fertilizantes aumentou 50%.

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