Bebiana Rocha
Para assinalar o Dia da Mulher, o T Jornal entrevistou três protagonistas da indústria que integram os órgãos sociais da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal. Vindas de gerações e segmentos distintos do sector, foram convidadas a partilhar os seus percursos, aprendizagens e a deixar uma mensagem de futuro para a indústria.
Alexandra Araújo, CEO da LMA, dá continuidade a esta série. Na sua reflexão, destaca que o maior desafio de ser mulher reside na multiplicidade de papéis que assume diariamente e na constante procura de equilíbrio entre todos eles. Ainda assim, encontra inspiração nas mulheres que marcaram a história pela sua determinação, coragem e visão, referências que continuam a orientar o seu percurso.
Com uma visão pessoal bem definida, a administradora defende uma liderança positiva, assente na escuta ativa, na colaboração e na valorização das pessoas. O que a move é a vontade de contribuir para um legado de inovação responsável, crescimento sustentável e desenvolvimento humano dentro da indústria.
Como começou a sua ligação com o STV?
A minha ligação ao Sector Têxtil e Vestuário (STV) nasceu no seio familiar. Cresci a acompanhar de perto a realidade da indústria, a compreender os seus ciclos, desafios e conquistas. Desde cedo percebi que o têxtil não é apenas um negócio – é identidade, é cultura.
Que momentos mais marcaram a carreira?
Destacaria os períodos de maior instabilidade económica, que exigiram decisões firmes e estratégicas, bem como a capacidade de reinvenção e adaptação rápida às exigências de mercados cada vez mais globais.
Quais são as maiores aprendizagens?
Aprendi que liderança é, acima de tudo, escuta ativa e colaboração. A indústria têxtil ensina-nos diariamente a importância da resiliência, da inovação e da capacidade de antecipação.
Percebi também que equipas motivadas e valorizadas são o maior ativo de qualquer organização.
Como sente que a presença feminina transforma a ITV? Que características femininas acrescentam valor?
A presença feminina transforma a ITV ao trazer diversidade de pensamento e criatividade. As mulheres acrescentam valor através da inteligência emocional, da capacidade de comunicação, da empatia, da adaptabilidade e da visão integrada dos processos.
Que vantagens há em ser mulher na ITV?
Não diria apenas na ITV, mas nas empresas em geral, ser mulher traz vantagens associadas à diversidade de experiências e perspetivas. Destaco a capacidade de resolução de problemas, a criatividade e a liderança colaborativa.
A representatividade feminina também inspira outras mulheres e contribui para ambientes mais equilibrados e inovadores.
Qual o maior desafio em ser mulher na ITV?
Apesar dos avanços, sei que persistem desafios como a disparidade salarial, a menor representatividade em cargos de liderança, os estereótipos de género e a dificuldade de conciliação entre vida profissional e pessoal.
Para mim, o maior desafio é a diversidade de papéis que assumimos diariamente – profissionais, mães, líderes, cuidadoras – e a necessidade constante de equilíbrio entre todos eles.
Que mudanças gostaria de ver no sector nos próximos anos?
É essencial reforçar políticas de igualdade, promover oportunidades reais de desenvolvimento profissional e criar mecanismos eficazes de conciliação entre trabalho e vida pessoal.
Que mensagem deixaria às mulheres do sector?
Que acreditem no seu valor e nas suas competências. Que não tenham receio de assumir posições de liderança e de fazer ouvir a sua voz.
A indústria precisa de mulheres confiantes, preparadas e determinadas.
Que legado gostaria de deixar na indústria?
Gostaria de deixar um legado de inovação responsável, crescimento sustentável e valorização das pessoas.
Se conseguir contribuir para uma indústria mais humana, inclusiva e competitiva, sentirei que cumpri o meu propósito.
Que mulheres inspiram a sua forma de liderar e estar?
Inspiro-me em mulheres que marcaram a história pela sua determinação e visão. No plano pessoal, a minha mãe é um exemplo maior dessa força e resiliência. No contexto da indústria têxtil em Portugal, destaco a Dra. Isabel Furtado, pela sua liderança e capacidade estratégica e a Dra. Gabriela Melo pelo espírito de criatividade, ambas com um contributo relevante para o desenvolvimento do sector. Inspiro-me igualmente nas mulheres anónimas da indústria, que todos os dias conciliam múltiplos papéis com dedicação, competência e um profundo sentido de responsabilidade.
Como imagina o futuro do sector e qual é o papel das novas gerações femininas?
A indústria têxtil tem raízes profundas e um conhecimento que nos distingue, mas o futuro exigirá decisões corajosas e estruturais.
Enquanto mãe de uma mulher, vejo este futuro também de forma pessoal. As novas gerações femininas terão um papel transformador, pois entram no mercado com mais confiança e melhor preparação.
O que mais ambiciono é que a minha filha – e tantas outras – possam escolher este caminho por vocação e ambição, nunca por limitação, encontrando oportunidades em vez de barreiras.
Para isso, será essencial investir em experiência internacional e em competências multidisciplinares, hoje determinantes num mercado cada vez mais global e interligado.