13 outubro 22
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Alberto Paccanelli: “Estamos desapontados com a União Europeia”

Os instrumentos de contenção e combate à crise que devem ser colocados à disposição das economias da União Europeia e dos seus agentes, as empresas, ainda não são suficientes para ultrapassar as desvantagens do contexto – pandemia, guerra, preços das matérias-primas e da energia. “Estamos desapontados com a União Europeia”, disse Alberto Paccanelli, presidente da Euratex.

Paccanelli falava na abertura da dupla jornada da 10º Convenção Europeia do Têxtil e Vestuário e do 24º Fórum da Indústria Têxtil Portuguesa, que decorre entre hoje e amanhã no Hotel Crowe Plaza, no Porto. O líder da federação europeia do sector afirmou que as suas esperanças estão agora centradas “no próximo Conselho Europeu”, que terá lugar a 20 e 21 deste mês.

Para Alberto Paccanelli, a resposta à crise – que envolve itens que são na sua quase totalidade exógenos à indústria – tem de ser dada por via da “união entre todos os agentes europeus do sector”, que deve ser um fim e não apenas um meio, e da insistência naquilo que “nos diferencia”: a sustentabilidade, a circularidade.

Será esta consciência de união, reforçou, que servirá, por outro lado, para sustentar um bloco que seja competitivo com o exterior e justo com os que querem ser fornecedores do próprio bloco dos 27. “Fair and balance”, como disse.

Mário Jorge Machado, presidente da ATP, reforçou que a guerra é o principal problema com que o sector se debate neste momento. Neste quadro, “é importante que as associações, Euratex, ATP e outras, tenham canais abertos com o poder político” para que não haja disrupções no bloco. “Cada falência é uma vitória de Putin”, disse, e é essa razia que tem de parar.

Mas, para Mário Jorge Machado, o sector tem também de se preocupar com o combate – ainda não em armas – entre o Ocidente e a China, ou mais propriamente entre os Estados Unidos e a China, que talvez não seja do interesse do sector europeu. “Temos de defender as especificidades do sector europeu” e insistir nelas como um sinete do ‘made in Europe’.

Até porque, recordou, “já mostrámos que somos capazes de ser resilientes enquanto indústria, depois de termos ultrapassado a fase em que nos disseram que íamos desaparecer”.

Numa sala cheia – as inscrições esgotaram há vários dias – os trabalhos da tarde seguem com a realização de workshops com vários os especialistas, como Veronique Allaire Spitzer (Regenerative solutions Director ReFashion), Braz Costa (diretor do CITEVE) ou Helene Smits (Chief Sustainability Officer Recover). Amanhã, 14 de outubro, estão previstas visitas às empresas JF Almeida, Riopele, TMG Automotive e CITEVE.

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