29 agosto 25
Internacionalização

Bebiana Rocha
Imagem: AICEP

AICEP identifica barreiras à internacionalização

A AICEP divulgou este mês de agosto os resultados do inquérito “Barreiras à Internacionalização das Empresas Portuguesas”, realizado em 2024 em conjunto com a Direção-Geral das Atividades Económicas (DGAE). O estudo identifica de forma sistemática os principais obstáculos à expansão internacional das empresas nacionais, quer através da exportação, quer do investimento direto.

O documento serve como base empírica para a definição de políticas públicas e instrumentos de apoio mais eficazes, avaliando tanto as dificuldades sentidas nos mercados de destino como em território nacional.

Quem respondeu ao inquérito

A amostra é composta maioritariamente por empresas da indústria transformadora, entre as quais o têxtil e vestuário. As PME dominam: 69% faturam menos de 10 milhões de euros e apenas 8% ultrapassam os 50 milhões.

O estudo revela ainda um grau de internacionalização muito elevado: 93% das empresas estão envolvidas em exportações. No entanto, só 39% têm uma intensidade exportadora muito elevada (75% a 100%).

Exportações intracomunitárias

A maioria das empresas exporta para o mercado interno da União Europeia, sobretudo para Espanha, França e Alemanha.

Segundo a AICEP, 72% das empresas não enfrentam obstáculos nos destinos intracomunitários, confirmando a eficácia relativa do mercado europeu. Nos casos em que surgem barreiras, estas estão ligadas a exigências locais, falta de informação sobre parceiros comerciais e acesso a regulamentação técnica e certificações. Questões ligadas a transporte, logística, propriedade intelectual ou pagamentos têm expressão residual.

Ainda assim, a Alemanha destaca-se: 43% das empresas que enfrentaram dificuldades na UE apontam este mercado como o mais problemático. Já no acesso a contratos públicos, Espanha é onde a barreira é mais sentida.

Exportações extracomunitárias

Fora da União Europeia, os principais destinos das empresas portuguesas são o Reino Unido, Estados Unidos e Angola.

Aqui, os obstáculos são muito mais significativos: 60% das empresas reportam dificuldades, com destaque para entraves burocráticos e formalidades aduaneiras. Barreiras pautais, problemas de transporte e logística e falta de informação credível sobre regras de mercado são também apontados.

Barreiras em Portugal

O estudo analisou igualmente as dificuldades no próprio país. 80% das empresas dizem não sentir obstáculos à exportação em Portugal, mas as restantes referem sobretudo problemas ligados a seguro de crédito e IRC.

Existem duas questões que merecem destaque: escassez de técnicos qualificados em internacionalização, considerada uma barreira considerável e complexidade na candidatura a apoios públicos, vista como muito importante para 38% das empresas e importante para 24% — ou seja, mais de metade das inquiridas.

Investimento direto no estrangeiro (IDPE)

A maioria (72%) das empresas inquiridas não realiza investimento direto no estrangeiro.

Entre as que o fazem, Espanha, França e Alemanha são os principais destinos intracomunitários. Neste grupo, 79% não enfrenta barreiras significativas, mas quando existem, estão ligadas sobretudo à abertura de estabelecimentos. França e Espanha surgem como os mercados com maiores constrangimentos.

Nos destinos extracomunitários, os Estados Unidos lideram claramente, representando 41% das menções, seguidos do Reino Unido, que mantém relevância mesmo após o Brexit. Angola também é citado, mas como um mercado mais desafiante, sobretudo devido a entraves na fase de instalação. No total, 56% das empresas que investem fora da UE não reportam obstáculos relevantes.

O setor têxtil e vestuário, um dos mais exportadores da economia nacional, encontra neste estudo pistas relevantes para reforçar a sua competitividade internacional. Para as empresas, os resultados ajudam a compreender melhor os entraves e a antecipar riscos nos diferentes mercados. Para o Governo, constituem uma base empírica útil para ajustar políticas e criar medidas de apoio mais eficazes, sobretudo no que toca ao acesso a apoios públicos, um dos pontos mais críticos identificados pelo inquérito.

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