Bebiana Rocha
A ATP terminou ontem a segunda edição do Bootcamp de Inteligência Artificial aplicada ao setor têxtil e vestuário. A formação, conduzida por Márcia Santos e Edgar Francisco, teve como principal objetivo apoiar a transição digital das empresas, através da apresentação de ferramentas e soluções práticas de inteligência artificial.
Os formadores explicaram que o alinhamento desta segunda edição resultou diretamente do feedback recolhido junto dos participantes do primeiro Bootcamp presencial, realizado em outubro do ano passado, que permitiu ajustar os conteúdos às principais necessidades da fileira.
O foco centrou-se na criação de agentes de IA capazes de funcionar como verdadeiros copilotos no trabalho diário, não como substitutos dos colaboradores, mas como ferramentas para aumentar a produtividade em áreas como marketing, recursos humanos, operações, finanças e comercial.
Márcia Santos começou por explicar a anatomia de um agente de inteligência artificial e as suas potencialidades no contexto empresarial. Entre os exemplos apresentados, destacou-se o Microsoft Copilot, capaz de automatizar processos financeiros, reduzindo significativamente o tempo necessário para tarefas como reconciliações bancárias, elaboração de relatórios e gestão de cash flows.
Já ferramentas como o ChatGPT e o Gemini foram demonstradas como soluções eficazes para apoiar os departamentos de recursos humanos, permitindo fazer a triagem dos melhores currículos e criar planos de integração para novos colaboradores. Na área da gestão, a combinação do Power BI com inteligência artificial torna possível gerar relatórios de forma automática, simplificando a análise de dados e a tomada de decisão.
Ao longo da sessão foram apresentados vários casos práticos aplicados à realidade do setor. Entre eles, a análise de fotografias de tecidos para classificação automática por cor, padrão e textura, com geração de descrições em português e inglês para plataformas de comércio eletrónico; a compilação de dezenas de fichas de fornecedores para criação de comparativos executivos; a construção de agentes capazes de interpretar e traduzir pedidos de clientes, organizando requisitos e especificações; e ainda a criação automática de apresentações profissionais para promover tecidos inovadores destinados ao setor do desporto.
Outro dos exemplos demonstrados consistiu no desenvolvimento de uma aplicação que permite às equipas comerciais aceder rapidamente a toda a gama de produtos disponível, facilitando respostas imediatas às solicitações dos clientes.
Esta edição do Bootcamp foi estruturada em dois momentos distintos: uma primeira componente teórica e uma segunda vertente prática, durante a qual os participantes puderam experimentar diretamente as diferentes ferramentas de inteligência artificial apresentadas. A organização promoveu ainda a criação de grupos de trabalho com perfis distintos, incentivando a troca de experiências, a partilha de ideias e o networking entre os participantes.
Na abertura da iniciativa, Ana Dinis, diretora-geral da ATP, enquadrou a realização do Bootcamp no âmbito do projeto Digi4Fashion, dedicado ao apoio à transição digital das empresas e à promoção de um impacto efetivo na sua competitividade. A responsável sublinhou a urgência de preparar as organizações para as transformações em curso e destacou que “o dia a dia das empresas é desafiante”, reforçando a importância deste tipo de ações para acompanhar a rápida evolução e as constantes atualizações no universo da inteligência artificial.