09 julho 26
Eventos

Bebiana Rocha

Agendas Mobilizadoras com impacto superior a 8 mil milhões de euros

O 3.º Encontro das Agendas Mobilizadoras para a Inovação Empresarial, promovido pelo IAPMEI no final de junho, no Europarque, em Santa Maria da Feira, reuniu os consórcios responsáveis pelas 51 Agendas Mobilizadoras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para fazer o balanço da execução dos projetos e demonstrar a capacidade de transformar conhecimento em produtos, processos e serviços com potencial de mercado.

Sob o lema “A Inovação Move o País”, o encontro deu a conhecer os resultados já alcançados por uma iniciativa que deverá gerar um impacto superior a 8 mil milhões de euros em volume de negócios até 2026, criar cerca de 11 mil novos postos de trabalho qualificados e contribuir entre 2,5% e 3% para o Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo os dados divulgados pelo IAPMEI na passada semana, cerca de 90% dos produtos, processos e serviços contratualizados apresentam já um elevado grau de concretização. Dos 1.270 produtos, processos e serviços (PPS) previstos, 1.087 registam níveis de execução iguais ou superiores a 80%, evidenciando a maturidade dos projetos e a aproximação da sua entrada no mercado.

Na abertura do encontro, o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, afirmou que “não estamos apenas a falar de projetos. Estamos a falar de verdadeira transformação estrutural da economia portuguesa”. O governante classificou as Agendas Mobilizadoras como “uma das políticas públicas de inovação empresarial mais ambiciosas alguma vez lançadas”, considerando que representam “uma escolha estratégica de apostar na competitividade, no conhecimento e na indústria como base do crescimento económico”.

Referindo-se à dimensão da iniciativa, Manuel Castro Almeida sublinho que “hoje Portugal tem uma escala sem precedentes”, destacando o número de entidades envolvidas e o investimento mobilizado. “Não basta investir, é preciso transformar; não basta executar, é preciso demonstrar resultados”, afirmou, acrescentando que as Agendas Mobilizadoras constituem “um exercício de organização do nosso sistema económico”.

Entre os projetos presentes esteve o Pacto de Inovação PRODUTECH R3, que reúne 106 parceiros, entre empresas, entidades não empresariais do sistema de investigação e inovação (ENESII) e organizações de diferentes setores de atividade, incluindo várias empresas da indústria têxtil e do vestuário. Com um investimento de 167,8 milhões de euros, a agenda aposta na colaboração entre empresas da fileira das tecnologias de produção, indústrias utilizadoras e entidades científicas para acelerar o desenvolvimento de soluções inovadoras com aplicação transversal à indústria.

“O PRODUTECH R3 está estruturado em 15 programas transformadores, agrupados em cinco áreas estratégicas: customização de produtos e produção de proximidade; produção adaptativa, colaborativa e competitiva; sistemas de produção interoperáveis, inteligentes e autónomos; novas tecnologias para a produção e utilização de materiais avançados; e eficiência na utilização de recursos e integração direta de energias renováveis nos processos de produção”, explica o consórcio em comunicado.

A agenda integra ainda três programas horizontais, dedicados à capacitação, internacionalização e qualificação, bem como dois programas de suporte, orientados para a disseminação dos resultados e coordenação global da iniciativa.

Entre os projetos em desenvolvimento destacam-se “o Design.2.Transform, dedicado a soluções digitais para a gestão do ciclo de vida e desenvolvimento de produtos sustentáveis e circulares; o SmartFactory, focado nas fábricas inteligentes; o Acuvent, CePHIM, Flexible Robotic Solutions e Q4All, orientados para a digitalização e automação da produção; o Digital & Autonomous Factory, SmartIL e DigiIndustry, na área da logística e digitalização industrial; o SmaRTM e BioEQUIP, dedicados aos materiais avançados; e os projetos Advance4i, Tech4Decarb, Digital4Circular e Industry-UP, centrados na sustentabilidade, eficiência energética, circularidade e descarbonização da indústria”, enumera.

A agenda prevê o desenvolvimento de 85 novos produtos e serviços, a realização de 52 projetos-piloto em contexto empresarial para validação de novas soluções tecnológicas e estimava gerar 50 milhões de euros em receitas resultantes da comercialização dos resultados obtidos.

A presença do PRODUTECH R3 no encontro procurou evidenciar o papel das Agendas Mobilizadoras na aproximação entre investigação, indústria e mercado, demonstrando como a colaboração entre empresas e entidades científicas pode gerar soluções com impacto económico.

A indústria têxtil e vestuário esteve naturalmente representada através de outras Agendas Mobilizadoras. O CITEVE destacou a sua participação em 12 agendas, reafirmando o compromisso com a transição digital, a sustentabilidade e a competitividade da indústria. O centro tecnológico assume a coordenação científica das agendas Texp@ct e GIATEX, participando ainda nas agendas AM2R, Be.Neutral, From Fossil to Forest, GreenAuto, HFPT – Health from Portugal, ILLIANCE, Pacto da Bioeconomia Azul e R2UTechnologies – Modular Systems e Sustainable Plastics.

Também a Fibrenamics marcou presença no encontro, dando visibilidade ao trabalho desenvolvido nas agendas Pacto da Bioeconomia Azul, GIATEX, Drivolution, Lusitano e R2U Technologies, em áreas como os materiais avançados, a sustentabilidade, a circularidade, a digitalização, a eficiência de recursos e a transformação industrial. “A participação neste encontro permitiu à Fibrenamics reforçar a ligação com parceiros nacionais, acompanhar a evolução de projetos colaborativos de elevada relevância estratégica e evidenciar o papel da inovação aplicada na criação de soluções com impacto económico, industrial e social”, refere em nota de imprensa.

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