20 março 26
Sustentabilidade

Bebiana Rocha

Acatel, Domingos de Sousa e Somelos partilharam impulsos do GIATEX

O consórcio do projeto GIATEX reuniu-se esta semana na Fábrica de Santo Tyrso para apresentar e discutir os resultados alcançados ao longo dos últimos anos. O dia foi estruturado em quatro painéis distintos, cada um dedicado a um PPS. No primeiro painel estiveram António Braz Costa (CITEVE), Joana Gomes (Acatel), João Sousa (Domingos de Sousa) e Joaquim Sá (Somelos Acabamentos).

O diretor-geral do CITEVE começou por realçar a disponibilidade do consórcio para a partilha de conhecimento e o efeito mobilizador da iniciativa no setor. “Depois de décadas de redução de consumos de água nas empresas, definir um objetivo de 40% era ambicioso”, reconheceu, mostrando-se satisfeito por ter sido alcançado e por disso ter resultado um serviço que pode apoiar as empresas a prepararem-se para uma concorrência cada vez mais exigente. “Quietos, andamos para trás”, lembrou.

Seguiu-se a intervenção da Acatel. Joana Gomes detalhou o desenvolvimento do acabamento ecofinish, um sistema que permite realizar tingimentos e lavagens tradicionais por nebulização. Reconheceu que a capacidade da tinturaria ainda podia ser otimizada e adiantou que já avançaram com investimentos, conseguindo reduzir significativamente as relações de banho.

A Domingos de Sousa deu continuidade às partilhas. João Sousa explicou que a empresa iniciou um estudo exaustivo de todos os processos, concluindo que parâmetros considerados garantidos poderiam ser otimizados. Após implementar as mudanças, conseguiram reduzir o consumo direto de água e o número de reprocessamentos. Foram também registadas poupanças de hidrossulfito e soda cáustica. O próximo passo será disponibilizar os dados online, em tempo real.

A Somelos Acabamentos cedeu ao GIATEX 100 banhos para análise, permitindo trabalhar na redução da água utilizada nos processos. Foi realizado um diagnóstico à empresa para identificar quais as correntes que poderiam ser reintroduzidas no sistema. Joaquim Sá estima que esta iniciativa permitirá à Somelos recuperar entre 40% e 50% da água utilizada.

Numa segunda ronda de questões ficou claro que ainda há muito trabalho a fazer nas empresas e que a continuidade do projeto faz todo o sentido, mesmo após o seu término oficial. “Tudo foi transformador, deixou-nos mais sérios na área da sustentabilidade”, concluiu João Sousa.

“O GIATEX veio acelerar o que estávamos a fazer devagarinho”, acrescentou Joaquim Sá. “Nunca estamos totalmente capacitados; é necessário ter sempre vontade de melhorar as nossas capacidades”, sublinhou António Braz Costa, lembrando que o dia a dia das empresas envolve múltiplas componentes e nem sempre é fácil parar. Projetos coletivos funcionam como uma alavanca: “quando estamos todos juntos à procura de soluções, empurramo-nos uns aos outros. O desafio não é apenas reduzir o consumo de água até chegar ao seco; estamos numa verdadeira revolução, onde é preciso explorar novas fontes de produtos químicos”, concluiu.

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