Bebiana Rocha
Imagem: Abit
Fernando Pimentel, presidente emérito e diretor superintendente da Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, marcou presença como orador no evento “Em foco Brasil”, dinamizado na passada segunda-feira pela AICEP, no Porto.
Na sua intervenção, apresentou uma visão realista e pragmática sobre o mercado brasileiro, sublinhando que “o Brasil não é para amadores”, e partilhou alguns números que ajudam a enquadrar a dimensão da fileira. O setor têxtil e de confeção brasileiro é de enorme escala, com uma faturação de 221 mil milhões de reais (aproximadamente 37,8 mil milhões de euros) e cerca de 1,34 milhões de pessoas empregues diretamente, destacou.
Ainda assim, o setor enfrenta desafios semelhantes aos da Europa, nomeadamente uma crescente pressão competitiva da Ásia, em particular da China, que tem vindo a ganhar terreno no mercado através das suas plataformas digitais e de custos altamente competitivos. “O mercado interno está aberto; quem está a ficar com a maior fatia do mercado é a Ásia, em especial a China”, afirmou.
Fernando Pimentel explicou também que o Brasil possui uma das cadeias produtivas mais integradas do mundo, que vai desde a semente do algodão até ao desfile de moda. No entanto, referiu a falta de autossuficiência nas fibras sintéticas como uma ‘fragilidade’.
Segundo o próprio, o grande diferencial até 2030 terá de passar pela sustentabilidade. Esse caminho já está em curso: o Brasil é atualmente o maior produtor mundial de algodão sustentável, o que o posiciona de forma estratégica face às novas exigências ambientais da União Europeia.
É com esta base que o responsável vê potencial no Acordo UE-Mercosul, encarando-o não apenas como uma troca comercial, mas como uma oportunidade de integração mais profunda entre mercados. A indústria brasileira pretende continuar a apostar em produtos diferenciados, com destaque para o reforço dos têxteis técnicos com aplicações nas áreas da saúde, agricultura e defesa, bem como para o desenvolvimento da economia circular.
Outra mensagem relevante da sua intervenção prende-se com a necessidade de adaptação ao mercado brasileiro, que exige estratégias diferenciadas por Estado: “Não vais vender em São Paulo exatamente como vendes na cidade de Belo Horizonte”, referiu, lembrando que o país cresce a ritmos distintos e apresenta diferentes níveis de poder de compra. Mato Grosso foi apontado como um dos estados em maior crescimento nesse indicador, embora a maior parte do desenvolvimento continue concentrada na faixa litoral.
Por fim, Fernando Pimentel assinalou ainda o potencial de crescimento para marcas de luxo europeias no mercado brasileiro.