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Segundo a Pordata, existem em Portugal cerca de 1,36 milhões de empresas – os dados estão atualizados a 2021, mas a realidade atual não será substancialmente diferente. Destas, 39 empresas resolveram aderir ao projeto-piloto do governo associado à semana de quatro dias de trabalho. Não é fácil admitir que um universo de 0,0028% do total seja muito representativo.
Na sua crónica semanal no Jornal de Notícias, o empresário Manuel Serrão debruça-se sobre o tema para confirmar “o enorme ‘flop’ que está associado a esta iniciativa. Desde logo, apenas 90 empresas resolveram aderir a este projeto-piloto. Destas 90 empresas, só pouco mais de metade (46) foram capazes de passar à segunda fase e contas feitas, no final, são apenas 39 as que vão efetivamente arrancar e alinhar nesta experiência durante os próximos seis meses”.
“Verificando o número de trabalhadores envolvidos, que se chegou a prever que atingiria os 20 mil quando as empresas eram 46, afinal agora que só ficaram na realidade 39 empresas, estamos a falar apenas de 1000 trabalhadores. Bem vistas as coisas, estamos a falar mais de um ‘projetinho’, do que de um projeto minimamente sério e representativo”.
“Mesmo assim, irei acompanhar com muito interesse os resultados que vierem a ser conhecidos, independentemente da objetiva falta de dimensão e representatividade desta amostra. Será curioso perceber ao fim de seis meses quais serão as reações e quais serão os efeitos palpáveis deste projeto, seja do lado dos 1000 trabalhadores envolvidos, seja do lado das 39 empresas que resistiram”, refere Manuel Serrão, também diretor do T Jornal.
E conclui: “Não quero imitar nenhuma ave de mau agoiro, mas apostaria singelo contra dobrado que daqui a seis meses não conseguiremos dizer que o projeto foi cumprido até ao fim pelos 1000 trabalhadores e pelas 39 empresas”.