05 julho 24
Empresas

Bebiana Rocha

“A têxtil tem um espectro enorme e um futuro promissor”

A ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal assinalou ontem o Dia do Profissional Têxtil com um webinar onde foi dada a conhecer a perspetiva dos jovens que escolheram o sector como carreira. Ao longo de duas horas falou-se sobre a sua visão de futuro, os desafios do sector e como os superar.

Entre as ideias chave passadas ficaram: a têxtil ter um espectro enorme de funções, o facto das novas tecnologias e da aposta na sustentabilidade serem decisivas para que o futuro do sector têxtil português seja promissor.

A abertura foi feita por Ana Paula Dinis, diretora-geral da ATP, que enalteceu a pujança da indústria, a criatividade e a responsabilidade, “tudo graças ao esforço e dedicação de todos os profissionais”.

“O sector é atrativo, tem uma história rica e tem tradição, mas tem também um futuro promissor. Um futuro onde inovação, tecnologia, digitalização, sustentabilidade, conhecimento e talento andam de mãos dadas”, afirmou.

Afonso Rodrigues, trainee na área de engenharia têxtil da TMG Textiles, Filipa Machado, técnica de laboratório na Tinkave, Gracinda Silva, trainee na área de engenharia têxtil na ATB, Inês Fernandes, responsável pelos recursos humanos na Elmate, Joana Pereira, assistente administrativa no centro de desenvolvimento técnico na TMG e Tomé Santos, designer na Primma, foram os jovens que integraram o painel.

“O sector têxtil depende de ouvir novos pensamentos e ideias, é a lei da adaptabilidade”, afirmou convictamente Inês Fernandes nos primeiros minutos. Joana Pereira acompanhou com a consciência ambiental dos mais jovens, Tomé Santos, Afonso Rodrigues e Gracinda Silva seguiram-se com a tecnologia.

“O conhecimento tecnológico dos jovens, aliado à sua pujança e à experiência de quem já está na área há bastantes anos é um unir de forças para fazer um futuro muito melhor”, pronunciou-se Gracinda Silva.

A conversa convergiu depois para a atratividade do sector, onde Tomé Santos destacou o carácter sinestésico do têxtil: “o toque, o cheiro, as sensações que os tecidos e as malhas proporcionam cativam-me muito”, disse com entusiasmo. Uma ideia partilhada pela maioria.

O sentimento de família e de união dentro das empresas têxteis também foi tocado pela Inês Fernandes: “A Elmate é uma empresa com um ambiente muito familiar, o que ajuda a mantermo-nos motivados. O sector deve ser uma equipa”, defendeu.

Joana Pereira por sua vez, apontou que o sector para ser mais atrativo tem de comunicar mais. “As empresas têm de se promover, eu sei que já estão a fazer o que podem, mas é preciso mais. Por exemplo, visitas de estudo, para que desde novos tenhamos contacto com a indústria e ganhemos o bichinho da têxtil”.

Afonso Rodrigues e Tomé Santos contribuíram para o debate com a questão dos salários e da repetitividade das funções sobretudo na parte produtiva. “Quanto mais ideias houver, menos repetitivos ficamos, mais dinâmicos conseguimos ser”, disse o designer da Primma.

Inês Fernandes, chamou à atenção para a necessidade de se criarem incentivos/benefícios extra para ajudar na motivação dos colaboradores: por exemplo dar o dia de aniversário, prémios de desempenho.

Pelo meio tocou-se na não necessidade de “tantos doutores”, mas sim de “pessoas formadas em especialidades”, porque afinal “onde se aprende o que é o têxtil é nas empresas”, proferiu Afonso Rodrigues. Suportado logo de seguida por Filipa Machado: “Quando entrei para esta área não sabia praticamente nada, com o passar do tempo, com a ajuda dos colegas que trabalhavam comigo e a experiência, comecei a perceber”.

A nova geração mostrou-se disponível para aprender com quem está no sector há décadas e vê na experiência “um atalho”. “Afinal é no chão de fábrica que se veem os problemas”, chamou à atenção Gracinda Silva.

A primeira parte da conversa terminou com a mensagem de que a nova geração quer estabilidade: “procuramos estabilidade”, disse Joana da TMG, não omitindo que a nova geração é “menos conformista”.

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