Bebiana Rocha
A mudança da ISPO para Amesterdão, entre 3 e 5 de novembro de 2026, marca o início de uma nova etapa para aquela que é uma das principais plataformas internacionais de negócio para a indústria do desporto e do outdoor. Mais do que uma nova localização, a edição de 2026 apresenta um conceito renovado, uma reorganização dos espaços expositivos, novas ferramentas para potenciar oportunidades de negócio e um reforço da aposta na discussão estratégica dos desafios que moldam o futuro do setor. A organização assume mesmo esta edição como um recomeço, convidando empresas, marcas e restantes intervenientes da cadeia de valor a fazer parte da construção da “nova ISPO”.
Em entrevista ao T Jornal, Soraya Gadelrab, porta-voz da ISPO, e Tracy Bebbington, diretora-geral do evento, explicam as razões por detrás desta transformação, o crescimento da área dedicada ao Manufacturing, o reforço dos programas de matchmaking e a criação do ISPO Leaders Summit. Duas perspetivas complementares para compreender como a feira pretende afirmar-se como uma plataforma onde se cruzam inovação, produção, negócio e decisão, respondendo às novas necessidades de uma indústria em rápida evolução.
A ISPO entra numa nova fase em 2026, com uma nova casa em Amesterdão, um novo calendário e um formato renovado. O que representa, estrategicamente, esta nova era para a ISPO?
Soraya Gadelrab: Para a ISPO, Amesterdão representa muito mais do que uma mudança de localização. Simboliza a evolução da ISPO enquanto uma plataforma de negócios verdadeiramente internacional, que reflete a forma como a indústria do desporto e do outdoor opera atualmente.
O mercado é mais global do que nunca e evolui a um ritmo muito mais acelerado. Amesterdão, um dos principais polos internacionais de negócios da Europa, é o local ideal para que marcas globais, fabricantes, fornecedores, retalhistas e inovadores se encontrem de forma eficiente, troquem ideias e tomem decisões que moldam o futuro da indústria.
A nossa ambição é criar um evento que não só apresente inovação, mas que também facilite oportunidades de negócio relevantes, conversas estratégicas e parcerias de longo prazo.
A feira apresenta uma nova organização dos pavilhões e uma estrutura renovada. Quais são as principais mudanças que expositores e visitantes podem esperar?
Soraya Gadelrab: Repensámos por completo a experiência do visitante. A nova organização agrupa categorias complementares, criando um percurso muito mais intuitivo e incentiva a interação.
Os visitantes passarão menos tempo a orientar-se pela feira e mais tempo em conversas relevantes, enquanto os expositores beneficiarão de uma localização integrada em ecossistemas que atraem naturalmente o seu público-alvo.
De que forma esta nova organização do espaço melhora o matchmaking entre marcas, fabricantes, fornecedores e retalhistas?
Soraya Gadelrab: O objetivo é promover encontros mais relevantes e com propósito. Ao agrupar empresas que se complementam naturalmente, aumentamos as oportunidades de colaboração, sourcing e estabelecimento de parcerias comerciais.
Em conjunto com as nossas ferramentas digitais de matchmaking e atividades de networking cuidadosamente selecionadas, a própria organização do espaço torna-se mais um instrumento para facilitar ligações de negócio de elevada qualidade.

Tem havido uma procura particularmente elevada por espaço de exposição na área de Manufacturing. Como interpreta este crescimento?
Tracy Bebbington: Penso que isso reflete o momento que a indústria está a viver. O fabrico tornou-se uma parte muito mais importante da discussão, à medida que as marcas analisam com maior atenção como e onde os seus produtos são produzidos, bem como quem escolhem como parceiros.
O que revela esta tendência sobre o atual ecossistema global de sourcing e produção nas indústrias do desporto e do outdoor?
Tracy Bebbington: A indústria está cada vez mais orientada para a inovação. Os fabricantes são hoje reconhecidos como parceiros estratégicos e não apenas como fornecedores. As empresas procuram maior transparência, flexibilidade, sustentabilidade e capacidade tecnológica ao longo de todo o processo produtivo.
Estamos também muito entusiasmados por acolher a edição de 2026 dos ISPO Textrends, que destacará os desenvolvimentos mais inovadores em tecidos, membranas, acessórios (trims) e materiais de isolamento destinados aos segmentos de vestuário desportivo e outdoor de elevada qualidade, proporcionando uma plataforma onde estas inovações poderão ser apresentadas ao mercado global.
A ISPO está a reforçar o Hosted Programme para atrair retalhistas de topo, decisores, distribuidores selecionados e líderes em inovação. Como está a evoluir esta iniciativa?
Soraya Gadelrab: O Hosted Programme arrancou de forma muito positiva. Já registámos interesse por parte de retalhistas e distribuidores dos setores do desporto e do outdoor de todo o mundo, com parcerias confirmadas que incluem a Intersport, a Sport 2000 Group International, a JD Sports e a Ellis Brigham.
Todas as semanas novas cadeias de retalho confirmam grupos de compradores, pelo que, faltando ainda quatro meses para o evento, estamos muito satisfeitos com a dinâmica alcançada.
Existem novos formatos ou ferramentas de matchmaking para aumentar o retorno do investimento dos participantes?
Soraya Gadelrab: Sim. Estamos a investir numa aplicação que permitirá recomendações de reuniões personalizadas e mais inteligentes, bem como oportunidades de networking cuidadosamente selecionadas. O objetivo é maximizar o valor do tempo de cada participante, facilitando encontros com verdadeiro potencial comercial antes mesmo do início do evento.
O primeiro dia da ISPO 2026 será dedicado ao ISPO Leaders Summit. Qual é a visão por detrás da criação deste dia de abertura?
Soraya Gadelrab: Quisemos criar um momento dedicado em que os principais líderes da indústria pudessem afastar-se das operações do dia a dia e concentrar-se nas tendências e estratégias para os seus negócios.
Antes da abertura integral da feira, os decisores terão oportunidade de debater os grandes temas que irão influenciar o futuro do desporto e do outdoor, desde a sustentabilidade e as cadeias de abastecimento até à transformação digital, ao comportamento do consumidor e à inovação.
Que tipo de debates e de decisores irão marcar esta cimeira?
Soraya Gadelrab: A cimeira foi concebida para administradores executivos (C-suite), fundadores, diretores e responsáveis políticos. As conversas centrar-se-ão em prioridades estratégicas de negócio, tendências e políticas, em vez de apresentações de produtos, proporcionando uma plataforma de elevado nível para networking estratégico.
De que forma esta iniciativa reforça o posicionamento da ISPO como uma plataforma estratégica de negócios e inovação, para além de uma simples feira?
Soraya Gadelrab: Hoje, as feiras precisam de oferecer muito mais do que um espaço de exposição. Empresas e consumidores procuram iniciativas que proporcionem experiências, conhecimento, inspiração e debates estratégicos.
O Leaders Summit reforça o papel da ISPO enquanto plataforma onde são influenciadas decisões da indústria, a inovação é discutida e novas colaborações têm início, e não apenas um local onde os produtos são apresentados.
Esta organização cria um fio condutor claro: começa por explicar a transformação da ISPO, passa para as mudanças concretas na feira, enquadra-as na evolução do mercado através da perspetiva da diretora-geral e termina com a visão estratégica para o futuro da indústria. Isso permite que as duas vozes se complementem, em vez de surgirem em blocos totalmente separados.
A representação portuguesa será uma das mais expressivas na ISPO 2026. A participação organizada pela ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, no âmbito do projeto Sustainable Textile & Apparel From PORTUGAL, distribui-se por três stands coletivos.
No Hall 4, dedicado ao ISPO Manufacturing, estarão presentes a Comfy Socks, a Fiorima, a LMA e a Têxteis JF. Almeida. Ainda no segmento Manufacturing, o Hall 5 reunirá as empresas A. Fiúza & Irmão, Bloomati by Carvema, Color for Tex, Fradelsport, P&R Têxteis, Sidónios Seamless Tech e Vale & Vilas Textiles.
Já no Hall 1, na área ISPO Brands, estarão representadas a Brandibias, a Calvi Wholesale, a Dune Bleue e a Sancar Premium Socks.
A participação portuguesa completa-se com a presença da Lcooler – L. Pinto Monteiro, também no segmento ISPO Brands, do CeNTI, na área de Manufacturing, e da AIP – Associação Industrial Portuguesa, com stand coletivo SPORTS2World From PORTUGAL no Front Square Pavilion.
