23 outubro 19
Convenção ITMF

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A estupidez humana é melhor que a inteligência artificial

O que é melhor? A estupidez humana ou a inteligência artificial? O managing director da suíça Ei3 não tem dúvidas – escolhe a estupidez humana.  “A digitalização não é contra o homem. É um processo que combina a precisão matemática com a criatividade humana”, declarou Stefan Hild, um dos dois oradores do painel Technology & Innovation da Convenção ITMF, moderado por Ana Roncha, da London School of Fashion.

A preocupação número 1 da Ei3 é a optimização de processos, não só para disponibilizar aos gestores toda a informação que os habilite a tomar as decisões certas mas também para aumentar a eficiência das máquinas, de forma a cortar nos custos de produção. E, como explicou Stefan Hild, recorrendo a um exemplo, a intervenção humana é fundamental para melhorar a performance das máquinas.

“Num universo de operadores com a formação idêntica e a mesma experiência, constatamos que havia uns que tiravam mais 40% de rendimento das máquinas do que outros. Porquê? Nem eles sabem explicar porquê. A única explicação está no facto de os mais performantes conhecerem as máquinas por dentro por fora, pelo cheiro, som ou feeling, e assim se aperceberem mais cedo que os outros que algo de errado está a acontecer com a mania”, contou o responsável da Ei3 – que prefere usar a etiqueta “industry for you” à mais batida “industry 4.0”.

Digitalizar e poupar são duas palavras que não só rimam como andar sempre a par. De acordo com Godecke Wessel, da alemã Fousource, a industria de vestuário podia poupar 800 milhões de US dólares se estivesse mais digitalizada.

“A digitalização não é o futuro. Está a acontecer e a uma grande velocidade. Acelerar é uma questão de sobrevivência”, afirmou Godecke Wessel, acrescentando que não são comportareis os lead time de 180 a 150 dias (metade no desenvolvimento da coleção e a outra metade na produção e distribuição) praticados na industria de vestuário.

Na dicotomia homem e máquina, o alemão tem uma abordagem mais convencional que o suiço, ao garantir que a indústria está a evoluir de um negócio de pessoas para um negócio digital. “Nos próximos dez anos as grandes novidades vão chegar do lado da supply chain e não do mercado, compradores ou marcas”, conclui Godecke Wessel.

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