T67 - Novembro
Dois cafés & a conta

T

Be Angel
A marca-própria da Elastoni foi responsável pela criação de máscaras especiais para a comunidade surda
Entregar valor
A empresa apostou desde início na exportação de qualidade e valor acrescentado
T67 – NUNO OLIVEIRA E ANTÓNIA RAFAEL

A Elastoni desde sempre apostou nos produtos de qualidade, com valor acrescentado, apoiada numa relação de proximidade e confiança com os vários parceiros

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span style="font-weight: 400;">O cabritinho assado no forno e a escolha do vinho produzido por um dos parceiros locais, foram o pretexto ideal para Nuno Oliveira apresentar a Elastoni. “Uma empresa que tem crescido 10 a 15% ao ano, quer manter a seriedade com que sempre esteve no negócio, com clientes fidelizados que respeitam o produto e um grupo próximo de parceiros e fornecedores”, sintetiza Nuno Oliveira, apoiado por Antónia Rafael, a outra administradora, com quem tem também sociedade conjugal. 

É que tal como o restaurante, a Elastoni desde sempre apostou também nos produtos de qualidade, com valor acrescentado, e apoiada numa relação de proximidade e confiança com os vários parceiros, um dos quais a empresa dos produtores do vinho que veio à mesa, a vizinha Lima & Companhia. “Aqui há uma forte relação e cumplicidade entre todos”, sublinha, dando conta que praticamente todos os parceiros e fornecedora da Elastoni estão num raio de cinco quilómetros. 

Fundada em 1980 pelos pais de Antónia e vocacionada para o underwear, a empresa apostou desde início na exportação de qualidade e  valor acrescentado das peças, num percurso linear que precisava de um upgrade quando, em 2014, chegou a hora de pensar na sucessão. Com formação em design e a única irmã dedicada à medicina veterinária, é pura retórica dizer-se que Antónia teria outras opções. Restava-lhe convencer o marido, já com largo percurso na têxtil.

“Ou modernizávamos a Elastoni ou criávamos uma coisa nova”, explica Nuno, mostrando que o que aconteceu foi mesmo o nascimento de uma nova realidade, só que ancorada da estrutura da empresa. Um grupo, que à Elastoni junta hoje a Angel Incentive e a Be Angel, a primeira dedicada à vertente comercial e desenvolvimento de produtos, a segunda como marca própria. 

Foi com as máscaras transparentes – pensadas para a comunidade de mudos – que o país ficou a conhecer a Be Angel – “não foi fácil combinar plástico e malha” -, mas foi graças à qualidade das suas máscaras têxteis que no ano passado (da pandemia) o grupo quase duplicou os cerca de três milhões de euros de faturação de 2019. Uma qualidade que levou o CITEVE a lançar-lhes o desafio de criarem as máscaras que permitiram que a comunidade de surdos pudesse também comunicar em segurança. 

Até os governantes estiveram na apresentação da Special Mask, como lhe chamaram, que passaram a ser usadas nas televisões e nas conferências de imprensa diárias das autoridades de saúde. “Ainda agora recebemos encomendas todos os dias, de escolas, professores e muitos serviços públicos”, conta Antónia. 

Um negócio, contudo, marginal mas que teve deu notoriedade ao grupo que exporta praticamente tudo que produz para marcas conceituadas do centro da Europa e países nórdicos. Produtos de grande valor acrescentado, como é o caso das T-Shirts que saem a quase cem euros e são vendidas em Paris ou Londres na ordem dos 300. “Levam aplicações especiais e acabamentos requintados”, explica Antónia, enquanto Nuno Oliveira conta também o caso de uma marca online de streetwear que uns novos clientes belgas – “muito jovens” – pediram para fabricar: “apostaram em coisas como os programas das irmãs Kardashian e em desportistas famosos e vendem para todo o mundo”.  

Com uma equipa que tem à volta de 40 pessoas – e uma relação de grande proximidade com todas elas – o segredo do grupo está na proximidade e fiabilidade dos parceiros e na capacidade e elasticidade internas. Com os clientes de sempre, a Elastoni conjuga a sua confeção com o apoio ao desenvolvimento de novos, tanto para a Be Angel como para os clientes internacionais da Angel Incentive. 

E como Antónia toma conta das operações, Nuno pode ainda desdobrar-se como sócio e diretor-geral da Perfil Cromático (antiga Mabera), que é provavelmente a maior prestadora de serviços de tinturaria e acabamentos do cluster têxtil. No fundo, é mesmo na dupla parceria entre Nuno e Antónia que se apoia o sucesso da renovada Elastoni.

Perfil

Ambos têm 44 anos e já eram casados antes da sociedade empresarial. Licenciado em Química, Ramo Têxtil (UMinho), Nuno tinha já larga experiência no setor, com passagem por Mabera e Carvema, enquanto Antónia, com formação em Design, já se ocupava na confeção fundada pelos pais. O desafio era modernizar a empresa e fazer evoluir o negócio, mas sem ter que dividir ganhos com a banca. Com prova superada, os lucros têm sido reinvestidos no fortalecimento da empresa. Um crescimento sustentado que tem também outro objectivo. Rodrigo (14 anos) ainda só pensa em futebol, Camila (12) mostra atenção à moda, mas ambos terão as opções facilitadas quando os pais tiverem que pensar na sucessão

RESTAURANTE
Restaurante D. Henrique zbr> Rua de S. Bento 309
4770-222 Joane

Entradas Sopa de legumes Prato Cabrintinho assado no forno com batas e grelos salteados Bebidas Água e vinho verde branco do Casal de Ventozela Sobremesa Rabanada e cafés

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