T60 - Janeiro 2020
Corte & costura

Júlio Magalhães

Os EUA e o mundo
Os EUA são o nosso melhor mercado de exportação. Para além disso estamos pelo mundo inteiro
Júlia Petiz

"Não existem mais mulheres em lugares de liderança porque para os homens é mais fácil, pois não têm nada a provar mas também e essencialmente porque as mulheres decidem que a sua prioridade de vida não é o de ocupar lugares de liderança. Mas a mudança está em curso", assegura Júlia Petiz, a CEO da Tajiservi

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omo e quando aceitou o desafio de gerir a sua vida na Tajiservi? 

Tornei-me CEO da empresa em 2003, em condições engraçadas, pois o processo de recrutamento era para uma outra empresa. O administrador de ambas, que achava que devia contratar um homem, criou a oportunidade para me admitir na Tajiservi para ver no que dava. Até hoje cá estou, tendo-me em 2009 tornado também a acionista maioritária.

Concorda que a nossa indústria têxtil e vestuário já não é só para homens de barba rija? 

O género continua a ter sua importância, não pela importância que efetivamente tem, mas pela importância que lhe é atribuída. Creio que não existem mais mulheres em lugares de liderança, porque para os homens é mais fácil, pois não têm nada a provar mas também e essencialmente porque as mulheres decidem que a sua prioridade de vida não é o de ocupar lugares de liderança. Mas a mudança está em curso.

Quais são os principais mercados de exportação da empresa e qual o peso do mercado nacional na facturação?

Os EUA, são desde há cerca de 3 anos o nosso melhor mercado de exportação. Para além disso estamos pelo mundo inteiro, já que há 4 anos decidimos apostar na divulgação dos nossos produtos online, nas redes sociais e essencialmente no Youtube. O perfil de empresa distribuidora de tecnologia e acessórios faz com que o mercado nacional seja para nós o mais importante. Nessa medida vemo-nos como um dos parceiros mais importantes das empresas exportadoras do país

As alternativas digitais às feiras físicas têm resultado, ou também faz parte da maioria que anseia pelo regresso ás grandes feiras internacionais?

Os eventos digitais são muito interessantes, mas não perspetivamos que as substituam na totalidade a curto prazo. É previsível que substituam a muito curto prazo alguns dos eventos físicos. Creio que serão melhoradas algumas das plataformas digitais já existentes e outras surgirão, e as empresas que não souberem adaptar-se a esta nova realidade correm o risco de se ver reduzidas a um expressão insignificante ou até desaparecer.

Qual vai ser o grande repto ou a maior aposta da Tajiservi  para 2021?

Em 2021 continuaremos a apoiar o sector e a incentivar e divulgar o têxtil verde e de reduzida pegada ecológica. Temos algumas novas representações nessa área, que brevemente daremos a conhecer.

Perfil

Júlia Petiz, 49 anos, é a CEO da Tajiservi e está determinada em puxar pata a linha da frente na marcha pela sustentabilidade. “Todos temos a responsabilidade de garantir o futuro”, diz, ao mesmo tempo que acredita que “poemos ser o maior cluster e sustentabilidade têxtil do mundo”. É licenciada em Relações Internacionais (UMinho) e começou por trabalhar numa agência de comunicação, ates de dar a guinada para o têxtil

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