T25 Outubro 2017
Serviço Especializado

O momento decisivo

A Vimaponto acredita estar no caminho para ter o melhor software para a área têxtil. «Inovamos com um novo conceito contabilístico, em que não há entradas e saídas, mas antes créditos e débitos», refere Abel Batista, há quase 40 anos na informática.

Jorge Fiel

Não há a mínima dúvida. A campanha da Carlsberg eternizou-se na nossa memória por culpa do cauteloso “provavelmente”. Tivesse a marca dinamarquesa reclamado ser “a melhor cerveja do mundo” e, provavelmente, já ninguém se recordaria dessa publicidade. Ser prudente compensa e Abel Batista, 67 anos de vida, dos quais quase 40 na informática, está farto de saber isso.
“Pensamos estar a caminho de ter melhor software para a área têxtil”, declara o fundador e CEO da Vimaponto, antes de se lançar a expôr, com detalhe e paixão, as vantagens das soluções que a sua equipa constrói e desenvolve: “Inovamos com um novo conceito contabilístico, em que não há entradas e saídas, mas antes créditos e débitos”.

Abel foi parar à informática por um daqueles acasos em que a vida é fértil. Estávamos no já longínquo ano de 1978 e ele era afinador de máquinas na Lameirinho quando a empresa da família Coelho Lima despertou para as vantagens e economias que o senhor computador podia trazer. Vai daí abriu um concurso para um responsável pela nova área informática da empresa – e Abel Batista foi o selecionado.

“Sou do tempo em que o computador era uma sala”, graceja o CEO da Vimaponto, que reconhece que os primeiros tempos não foram fáceis, pois a informática era uma coisa nova e a resistência à mudança é uma das características mais universais do género humano – a exceção são os bebés e apenas no particular da fralda.

A informática começou a enraizar-se no mundo empresarial e em 1986, o ano da adesão de Portugal à CEE, vamos encontrar Abel no núcleo fundador da Microponto, uma sociedade com sede no Porto, que começou por comercializar computadores Amstrad (“o primeiro computador que vendi custava dois mil contos”) mas não demorou a alargar a atividade ao software.

Demorou sete anos o trajeto de Abel com a Microponto. Em 1993, optou por separar as águas e fundar a Vimaponto (onde tem como sócia Arminda Pinto), devido a divergências quanto à estratégia a seguir. Os seus antigos sócios estavam mais virados para o hardware e ele queria apostar no software a maioria das fichas. “Eles continuaram a vender caixotes”, enquanto a Vimaponto se focava no desenvolvimento de software, não negligenciando, no entanto, as outras componentes do negócio – em 95 começou a vender HP e Microsoft, marcas de que é atualmente silver partner. A Vimaponto foi prosperando, ultrapassando os obstáculos que lhe iam surgindo pela frente (como a mudança do milénio e a introdução do euro), quando se debateu com um dilema, do qual se desembaraçou escolhendo a melhor solução.

Em 2005, a Vimaponto sabia que o seu software de base já estava demasiado antiquado. Em vez de investir num novo, optou por estabelecer um acordo de parceria com a Primavera.
“Foi um momento decisivo na vida da nossa empresa. Em cima do software da Primavera acrescentamos módulos específicos para setores de atividade específicos, que conhecemos bem, como a têxtil, o calçado ou a cartonagem, construindo soluções à medida das necessidades de cada cliente”, conclui Abel, um empresário que debutou como afinador de máquinas e, hoje é, provavelmente, uma das pessoas que melhor conhece o negócio informático no nosso país.

O Serviço

Vimaponto
Rua dos Estoleiros 304 - Polvoreira
4835-163 Guimarães

O que faz? Fornece soluções tecnológicas para o mercado empresarial Volume de negócios 2,3 milhões de euros Perspetiva de crescimento 40% (vendas devem atingir os três milhões de euros) Colaboradores 26, na sua maioria licenciados em Engenharia Informática ou Informática de Gestão (UMinho)   Clientes Lasa, Riopele, Mundifios, Felpinter, ACL, BomDia, ACL, Madureira & Irmão e Silsa, entre outros Principais setores com que trabalha Têxtil, calçado e cartonagem

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