T19 Abril 2017
Serviço Especializado

No corte está o ganho

A Mind começou com os sapatos, mas desde 2014 que se atirou de cabeça para a têxtil: um setor que (re)começava a crescer e onde havia uma lacuna no mercado ao nível de máquinas de corte, em particular nas confeções.

Carolina Guimarães

Foi em 1997 que nasceu a Mind, uma empresa incubada no Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Lisboa, onde já moravam algumas ideias sobre desenvolvimento de softwares, ao nível dos sistemas CAD e do corte automático de pele. A aceitação dos seus produtos no mercado – em particular na indústria do calçado – foi a prova de que estavam no rumo certo.

Do corte de pele, que entretanto evoluiu para outras indústrias como a automóvel e os estofos, até ao corte de tecidos foram quase dez anos: foi em 2006 que a Mind colocou o primeiro sistema de corte automático numa empresa do sector têxtil e de confecção, a Petratex. Mas só em 2014 é que Mind decidiu atirar-se de cabeça à ITV, quando percebeu que “havia uma lacuna no mercado em termos de oferta para um nicho de produto na área de confecção”, como explica Vítor Duarte, director da Unidade de Sistemas Industriais da Mind.

O software que desenvolveram para as confecções possui um sistema de reconhecimento de padrões (quer sejam xadrez, riscas ou estampados/sublimados) que permite o corte correcto dos tecidos, em camada simples, tendo em conta a sua compressão e distensão ao entrar na máquina – compensando as suas deformações – assim como uma maior eficiência no corte das peças e na utilização dos materiais.

Todo o planeamento e desenvolvimento desta tecnologia é 100% português e  conjuga-se com o sofisticado equipamento produzido pela empresa suíça Zünd Systemtechnik AG, líder mundial de máquinas de corte automático. Os sistemas integrados de corte MindCUT são configurados para operar em três fases simultâneas: a entrada do material, onde é feito o reconhecimento dos padrões; o corte; e a recolha das peças – que podem ser, por exemplo, de tamanhos diferentes, havendo um maior aproveitamento do material e, consequentemente, maior rendimento e eficiência do processo produtivo.

“Temos clara consciência do elevado carácter inovador que estes sistemas representam, pela elevada flexibilidade, qualidade e eficácia que têm relativamente aos processos manuais”, diz Vitor.

A primeira apresentação desta tecnologia deu-se há dois anos, na Texprocess em Frankfurt, onde a Mind se apresentou em stand próprio. O passo seguinte foi a colocação de algumas unidades no mercado, permitindo criar um núcleo forte de verdadeiros parceiros de negócio, “por forma a perceber a realidade da indústria, assim como as necessidades das empresas”, como explica Vítor Duarte. “Este foi um produto que amadureceu dentro das próprias empresas, integrando o know-how e o saber fazer”, conclui.

Com um posicionamento de proximidade, muito flexível e sempre atenta às dinâmicas de mercado, a Mind, não tendo uma estrutura muito rígida relativamente à tomada de decisões, reage de forma rápida e eficaz através da apresentação de novas soluções.

Apesar de se assumir como um player recente no mercado, esta empresa portuguesa quer ganhar terreno no sector têxtil com a sua política de proximidade, rapidez e capacidade de inovação e está de olhos postos nas feiras internacionais – a próxima será a Texprocess, no próximo mês de Maio – com o objectivo de espalhar esta tecnologia pelo mundo.

O Serviço

Mind Technology
Alameda dos Oceanos, Lote 1.06.1.1D, 1º B
Parque das Nações
1990-207 Lisboa

Área de Trabalho Desenvolvimento de softwares, nomeadamente para máquinas de corte Data de criação 1997 Funcionários 50 Faturação em 2016 5,1 milhões de euros Escritórios Lisboa, Santa Maria da Feira e Dongguan (China) Clientes Nike, Petratex, Crialme, Soeiro

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