T32 Maio 2018
Produto

Picasso vai buscar à Natureza novas cores da Tintex

Ecológico e inovador, o projeto Picasso está a desenvolver uma alternativa mais sustentável ao corantes têxteis artificiais.

António Gonçalves

O nome Picasso é sugestivo e promete pintar a indústria têxtil com uma nova paleta de cores. Desenvolvido pela Tintex, em parceria com o CITEVE, o CeNTI, e algumas empresas agro-alimentares, o projecto procura criar um novo método de produção de corantes têxteis, totalmente baseado em produtos naturais: cogumelos, ervas aromáticas e infusões. Trata-se de uma alternativa “verde” para os corantes químicos.

O conceito não é novo. Trata-se aliás da reinvenção de um processo milenar, agora concebido com sofisticação tecnológica e científica. Afinal, desde a pré-história que o homem utiliza elementos de origem natural na tinturaria, processo que se viu ultrapassado pelo desenvolvimento da indústria química, capaz de oferecer soluções com maiores garantias. No entanto, com um mercado cada vez mais sensível à sustentabilidade dos produtos que consome, incluindo a roupa que veste, torna-se cada vez mais necessário encontrar novas alternativas. Para além das crescentes pressões dos consumidores, o Picasso visa também dar uma resposta às restrições que a legislação europeia tem colocado na utilização de produtos químicos.

A ideia do projecto, que envolve um investimento total de 816 mil euros, co-financiado pelo Compete 2020, é o de produzir uma nova gama de corantes através da reutilização de compostos de origem natural. José Morgado, diretor do Departamento Tecnologia e Engenharia do CITEVE, explica: “Os cogumelos têm a função de fixador, facilitam o processo de tingimento, e para a produção das cores utilizamos mais de 50 infusões e ervas-aromáticas, desde Erva-Príncipe a Menta ou Perpétua-Roxa, por exemplo.”

O potencial ecológico do conceito reside na possibilidade de reutilizar desperdícios da indústria agro-alimentar: “Temos a capacidade de aproveitar os resíduos mais pequenos que sobram na produção e embalamento destes produtos e que não podem ser reaproveitados pelas próprias empresas.” Para este projecto, as ervas e infusões foram fornecidas pela Ervital e os cogumelos pela Bioinvitro.

Em desenvolvimento desde 2016, o Projeto Picasso já garantiu a produção de dezenas de tonalidades diferentes, através da selecção e conjugação das várias matérias-primas. Segundo José Morgado, o maior desafio tem sido o de garantir a solidez do tingimento à luz: “Neste momento ao desenvolver os protótipos finais, já garantimos solidez das cores na lavagem, mas ainda não atingimos o ponto ideal no que toca à solidez à luz”.

A grande mais-valia do projecto consiste em criar uma vasta paleta de cores sem utilizar corantes químicos, o que aumentará as potencialidades antioxidantes e antimicrobióticas das malhas tingidas, para além de melhorar os níveis de biodegrabilidade das peças.

Antes do Picasso, a Tintex esteve também envolvida no Colorau, projecto antecessor que lançou as bases para a investigação actual. A sustentabilidade tem sido assumida pela empresa de Vila Nova de Cerveira como uma das suas imagens de marca, que viu já vários dos seus produtos premiados a nível internacional, incluindo um Hightex Award 2017 em Munique. “Somos uma empresa tecnologicamente avançada, comprometida com a diminuição da pegada ecológica e em ser uma referência a nível mundial, no respeito pelo meio ambiente” afirmou Mário Jorge Silva, CEO da Tintex, em entrevista para a edição 22-23 do Jornal T.

O Produto

Projeto Picasso

O que são? Tintas têxteis criadas a partir de extractos naturais Para que serve? Fornecer à ITV uma alternativa sustentável aos corantes químicos. Estado do Projeto? Desenvolvimento de protótipos finais. Demonstração agendada para meados de 2019.

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