18 Maio 2018
Produto

Fio de cortiça reúne o melhor de dois mundos

Nem sempre é possível reunir o melhor de dois mundos. Neste caso foi. Dois dos sectores industriais mais tradicionais do país (o corticeiro e a ITV) juntaram forças e os respectivos know-hows, aliaram-se a instituições de investigação como o CITEVE e a FEUP, e com esta fusão de saberes foi possível produzir o chamado fio de cortiça.

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Formalmente, o projecto Cork.a.Tex.Yarn – Fio com elevada incorporação de cortiça, que foi comparticipado pelo Compete 2020, teve início a 1 de outubro de 2016 e terminou no último dia do mês passado. No dia 14 de Março foi apresentado formalmente no CITEVE, já depois de ter sido seleccionado em Janeiro para os iTechStyle Awards e de ter sido apresentado ao mundo na Heimtextil, em Frankfurt, de Janeiro.

Neste momento os dois parceiros industriais, a Sedacor (empresa com elevado conhecimento em processos de transformação de cortiça) e a Têxteis Penedo (especialista na produção de têxteis lar de excelência) já encomendaram uma máquina para a produção industrial de fio com elevada incorporação de cortiça que permite fazer 80 metros de fio por minuto e 200 fios em simultâneo. Mais: e no início do próximo ano deverá estar assente a operacionalização do negócio que poderá traduzir-se na instalação de uma nova empresa a criar por estes dois parceiros ou então um modelo assente em dois pólos industriais, um na Sedacor e outro na Penedo.

Já agora uma pequena radiografia destes dois mundos: a  ITV representa 10% do total das exportações portuguesas, tem 12 mil empresas e 134 mil empregados; o sector corticeiro representa 1,2% das exportações, tem 670 empresas e 9000 trabalhadores, mas sobretudo convém recordar que a União Europeia é o maior produtor de cortiça mundial, representando mais de 80% do total produção mundial. E que Portugal é responsável por cerca de 50% da produção total mundial. De resto, a cortiça é produto emblemático do nosso país e é Património Nacional.

Na apresentação que fez do projecto, Graça Bonifácio, do Citeve, sublinhou: “A cortiça é natural, reciclável, reutilizável e amiga do ambiente, uma solução de diferenciação em mercados como a arquitetura, moda e mobiliário, e é alvo de crescente procura no mercado global”. Nos últimos anos, está a dar os primeiros passos na ITV, que já são visíveis no trabalho de alguns estilistas.

Após a instalação de uma linha piloto no Citeve para fazer o fio com cortiça foi realizada a industrialização do produto para a validação dos fios em ambiente industrial e laboratorial, designadamente ensaios de resistência à lavagem.

Dessa validação em ambiente industrial e laboratorial, concluiu-se que nas lavagens sucessivas não houve perdas significativas, e não houve alterações de cor. Foram também estudados outros parâmetros: resistência mecânica, à abrasão, coeficiente de atrito, flexibilidade, finura e regularidade.

Feita essa validação industrial, a Têxteis Penedo/ Sedacor desenvolveu edredões, almofadas e cortinas feitas de tecido produzido com fios com incorporação dos resíduos de cortiça, que, de resto, foram já seleccionados para os iTechStyle Awards.

O sucesso foi tal que existem já vários contactos por parte de clientes das empresas, bem como de grandes cadeias internacionais para aquisição do fio.

O Produto

Cork.a.Tex.Yarn

O que é? Um fio têxtil com cortiça. Para que serve? Para tecidos e para malhas. Com aplicação em têxtil-lar, hotelaria, decoração, vestuário e outras. Estado da patente? Patente internacional registada.

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