15 maio 19
Techtextil

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“Progresso da têxtil deixa o país orgulhoso”

“O progresso da têxtil, o extraordinário percurso feito por esta indústria nos últimos dez anos e que resultou nos três prémios de inovação com que foi ontem aqui distinguida na Techtextil, é um enorme motivo de orgulho para o nosso país”, afirmou hoje João Correia das Neves, secretário de Estado da Economia, na ilha From Portugal do Hall 3.1 da Messe Frankfurt.

“A industria têxtil e de vestuário tem dado um contributo muito significativo para o crescimento da nossa economia. E estou convencido que neste ambiente menos simples do que os dos ultimos anos, continuará a saber dar resposta e a demonstrar capacidade para competir com os melhores”, acrescentou o secretário de Estado da Economia, que, a convite da ATP, vai visitar hoje à tarde os stands portugueses presentes na Techtextil/Texprocess,  acompanhado por João Gomes, embaixador de Portugal em Berlim, Miguel Crespo, delegado da AICEP na Alemanha, e Paulo Melo, presidente da ATP. 

João Correia das Neves teria ganho se tivesse chegado 24 horas antes a Frankfurt, a tempo de assistir à atribuição a consórcios nacionais de três dos sete Techtextile Innovations Awards e de ouvir o seu congénere alemão Thomas Bareiss fazer uma inabalável profissão de fé no futuro da têxtil e demorar quase dez minutos a descrever com pormenor os inúmeros apoios que o governo de Berlim dá a esta indústria.

“A economia alemã tem dois pilares, a têxtil e a engenharia mecânica, que se encontram aqui nesta feira”, declarou Bareiss, acrescentando, com orgulho, que “a Alemanha é campeã mundial da inovação têxtil”, estribado nas estatísticas que revelam que 60% das exportações alemãs do setor são de têxteis técnicos, num valor de 13 mil milhões de euros.

Dos quatro Techtextil Innovation Awards que Portugal não ganhou, três foram para empresas alemãs e o outro distinguiu um consórcio belga-germano-dinamarquês.

“A têxtil atravessou momentos maus mas está outra vez na mó de cima, ganhando quota de mercado e estando presente em todos os setores do nosso dia a dia, rebocada pela inovação e pelos têxteis técnicos”, garantiu o secretário de Estado da Economia e Energia do governo alemão, convencido não só de que a têxtil tem futuro, mas também de que o futuro é têxtil.

Barreiss, que trabalhou dez anos na têxtil (onde teve o seu primeiro emprego), revelou estar maravilhado com a capacidade de reinvenção que permitiu a uma das mais antigas indústrias do mundo tornar-se um setor de alta tecnologia, cujos limites são desconhecidos.

“Ninguém neste momento é capaz de dizer até onde pode ir a têxtil”, disse o secretário de Estado alemão,  dando como exemplo desta afirmação o adiantado estado de desenvolvimento, numa universidade do seu país, de um tecido de base têxtil que será usado na substituição de tecido cardíaco danificado por enfartes, permitindo a restauração plena das funções deste órgão vital.

A nota otimista vinha já do discurso inaugural de Detlef Braun, o CEO da Messe de Frankfurt, que contou ter acordado bem disposto com o céu azul e sem nuvens que sorria nesse dia (e contrastava com o frio, chuva e céu nublado que ensombraram o fim de semana) e que ficou ainda mais bem humorado quando, ao ler, ao pequeno almoço, a seção económica do Frankfurter Allgemeine deparou o seguinte titulo de jornal: “A Alemanha é novamente um país têxtil”.

“Quem pensa que a ITV é só roupa está muito enganado, ficou parado no século XX”, explica Braz Costa, diretor geral do CITEVE, a propósito do poder da inovação e da tecnologia que permitiu à têxtil, o grande motor da Revolução Industrial, no século XIX, chegar ao século XXI competitiva como nunca e a invadir outros setores de atividade, como a saúde, construção ou mobilidade.

“Em 2022, o mercado mundial de têxteis técnicos vai valer 180 mil milhões de euros”, disse Detlef Braun, na abertura de uma feira em que há duas buzzwords em cima da mesa: Sustentabilidade e Impacto 4.0.    

“Olhando para as etiquetas da roupa que visto, vejo que o centro de gravidade da produção têxtil ainda está na Ásia. Mas ao ver a alta tecnologia dos produtos distinguidos com Techtextil Awards fico com a certeza que o centro da investigação e inovação da indústria está na Europa”, afirmou Ingolf Baur, o jornalista de um canal televisivo cientifico alemão que apresentou a cerimónia inaugural da feira.

Is all about sustainability”, resumiu Baur. “Acabo de ler um relatório das Nações Unidas que alerta para o facto de haver cerca de um milhão de espécies em vias de extinção. A boa notícia é que ainda vamos a tempo de evitar que isso aconteça e estou certo que a têxtil está a cumprir a sua parte no esforço global que é necessário fazer para salvarmos o nosso planeta”.

O impacto 4.0 é a nova moda, nascida em Frankfurt na boca de Elgar Straub,o diretor geral da VDMA , a associação dos fabricantes alemães de maquinaria para a indústria têxtil que é parceira da Messe Frankfurt na organização da Texprocess.

“O mais importante agora não é a Indústria 4.0, que é um dado adquirido, mas antes o que vamos fazer com ela. O Impacto 4.0 é a nova keyword. O grande tópico desta edição da Texprocess vai ser a continuação da Indústria 4.0 e a extensão das mudanças que que ela foi o gatilho e já foram integradas na cadeia de valor”, afirmou Elgar Straub. 

Techtextil_FromPortugal

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