T26 Novembro 2017
Loja

Repovoar as ruas com pequenas tartarugas

Foi na altura em que estava a trabalhar no espaço que outrora tinha servido de loja à marca de surf dos anos 90, que João Freitas, num ataque de saudosismo, decidiu fazer renascer a marca Pacifique Sud.

Carolina Guimarães

Foi devido a um ataque de saudosismo que a Pacifique Sud renasceu – não das cinzas, mas da memória dos milenais. Enquanto trabalhava no espaço que outrora tinha servido de loja da popular marca de surf dos anos 90, João Freitas relembrou os seus tempos de juventude e decidiu relançar a marca, que havia acabado no início do milénio.

A etiqueta da tartaruga começou assim a aparecer em pólos, t-shirts e calças de ganga – e mais tarde estendeu-se para uma coleção mais completa, com vestidos, camisolas e macacões para mulher e calções, camisas e casacos para homem. E tudo é desenhado dentro das portas de casa de João Freitas: é ele quem desenha as peças de homem e a sua mulher, Raquel Ribeiro, é a responsável por conceber as peças de senhora.

Ambos conciliam este projeto com o trabalho numa consultora: ele na área da gestão financeira e ela na gestão de projetos. Apesar dos seus caminhos iniciais não fazerem prever o desafio que estava para vir o destino fez, previamente, o trabalho por eles: o pai de João trabalhou sempre no setor têxtil, pelo que este era um setor muito familiar para o (re)fundador da marca; já Raquel Ribeiro é formada em arquitetura e tirou design de moda na Academia de Artes e Moda do Porto, onde aprendeu design têxtil e modelismo, o que lhe deu noções preciosas e muito à vontade em frente da máquina de costura. Isto faz com que tudo o que está na loja tenha etiqueta made in Portugal: para além da conceção, também a confeção das peças é feita no norte do país.

O crescimento da marca tem sido gradual, mas global: não só a oferta de produtos foi aumentado, mas também o número de pontos de venda, o número de clientes e, consequentemente, de receitas. “Começa a criar-se outra vez uma rede de seguidores, uma ligação com a marca, e tem sido interessante testemunhar esse regresso”, conta João Freitas.

Já só faltava mesmo uma loja própria: “Já temos muitas peças e os espaços multimarca onde estamos acabam por nunca mostrar toda a coleção. Daí surgiu a necessidade de termos um espaço próprio, onde pudéssemos mostrar toda a nossa gama de produtos”, diz. O local escolhido foi as Galerias Lumiére – um espaço que partilha não só a filosofia da Pacifique Sud como o espírito de renascimento: depois de vários anos de decadência, o espaço comercial está de novo a ganhar vida, com a ajuda da movida da cidade.

A captação de clientes estrangeiros é também um objetivo, mas é no público português que a marca tem as lanças apontadas. “A nossa loja online funciona muito bem, mas o cliente português gosta de tocar, vir, ver e sentir. Depois até pode comprar pela internet, mas nas primeiras compras preferem ver o produto ao vivo, conhecer o estilo e os acabamentos”, diz, explicando a importância de ter finalmente um espaço físico.

Repovoar as ruas – e o mar, o ar e os skateparks – com as pequenas tartarugas é a missão de João e Raquel, que foram teimosos e saudosistas o suficiente para não deixar morrer uma das marcas da sua juventude.

A Loja

Pacifique Sud
Galerias Lumiére
Rua das Oliveiras, 72 Loja 6, Porto

Estilo outdoor, para desportos radicais Produtos roupa de homem e mulher, sapatos, malas, acessórios e artigos de surf (pranchas e ceras) Outras marcas Porside e Lona Ano de criação 2014 Pontos de venda Hotel Feel e Armazém 66  (Viana do Castelo), Trunks (Antas), Worskshops Pop-up (Rua do Almada) e The Yellow Boat Store (Avenida Brasil)

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