Uma casa no campo
T25 Outubro 2017
Cantinas do Serrão

Manuel Serrão

Na Camposa sentimo-nos como em casa, e por isso, o último a sair é quem normalmente apaga a luz.

A Quinta da Camposa, entre a Maia e Santo Tirso, tem tudo o que esperamos de uma boa casa no campo, a começar pela comida, boa e saudável.

Ao contrário do Cafeína na Foz, a Quinta da Camposa não é o tipo de restaurante onde a ex-presidente brasileira, Dilma Roussef, subitamente decidisse ir comer um bacalhau a meio de uma escala no Porto.

Não é que lá não encontrasse um bacalhau à maneira, mas primeiro que a sua segurança desse luz verde a uma deslocação ao descampado da Camposa, já o avião tinha descolado há muito.
Para as outras pessoas, que não são presidentes do Brasil, nem de lado nenhum, o que lhes interessa saber é o que é que preside à mesa de um restaurante destes.

Acontece que há restaurantes assim, em que pela pinta dele já sabemos que vamos comer bem, mesmo sem saber o quê. Saltam então para a ribalta as questões que são menores noutros espaços, como a segurança.

Sempre que quero ir jantar a ver o FCP a jogar fora, preciso de escolher um sítio em que o possa fazer em total segurança – por causa de mim e dos outros convivas -, o meu
amigo de longa data Luciano, o senhor feudal da Camposa, descansa-me: podem vir à vontade que na vossa sala só tenho mais uma mesa de oito, mas são todos portistas.
Equipas alinhadas, o pontapé de saída é dado a meias num salpicão e num presunto que são do fumeiro particular do Luciano.

Lá está outra das vantagens de ter um restaurante no campo.

Camposa
Há restaurantes assim, em que pela pinta dele já sabemos que vamos comer bem, mesmo sem saber o quê.
Não me lembro de nada importante que não seja de lá.

Galinhas e porcos, grelos e nabiças, pataniscas e alheiras, vitelas e lampreias ou nasceram lá, ou foram para lá viver e em qualquer caso é lá que morrem, às mãos do Luciano ou na nossa mesa.

Na Camposa, as entradas não se escolhem, comem-se. São tantas e tão variadas, que a dificuldade é usar da contenção necessária em função do que vem a seguir. Sendo que depois do prato de resistência ainda vem mais uma procissão de sobremesas. Santo Deus!

Devo dizer que já lá participei em vários “focus group” e os resultados eleitorais, não são como os da Rússia , em que ganha sempre o mesmo. Em tempos mais remotos ganhavam o cabritinho e a vitelinha, assados num forno que dá gosto vê-lo a trabalhar. Aliás é de lá que sai também o arroz, com que se acompanha o que desejarmos.

No último jogo que lá fui ver e que o FCP ganhou sem espinhas, quem triunfou à mesa também não tinha ossos: um rosbife que se cortava com um garfo e uma posta mirandesa de cortar a respiração.

Muitos de nós só recuperam o ar e a fala depois de o FCP marcar um golo, quando já com a posta fora de jogo, há muito chegamos aos finalmentes com uns mini pastelinhos de Belém, que o Luciano não exporta da ementa, nem que todos os santos lhe peçam.

Na Camposa sentimo-nos como em casa, e por isso, o último a sair é quem normalmente apaga a luz.

RESTAURANTE
Casa da Camposa

Rua Central da Camposa 1409
4425-322 Maia

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