A quebra da tradição
Quebrámos o imposto pelo clero, contudo, a tradição histórica não foi deixada de lado
Patriarca vestido a rigor para receber o Papa Francisco
T20 Maio 2017
Acabamentos

Katty Xiomara

Katty não tem dúvidas. Sabe que Portugal necessita de rezar, e muito, por um futuro melhor. Mas inspirada na frase chave do pensamento de D. Manuel Clemente - “O que me preocupa mais em relação a Portugal é tudo aquilo que poderíamos ser e ainda não somos” -, visualizou para o nosso país um futuro sensível, optimista e arrojado e, em conformidade com esta visão sorridente, desenhou dois paramentos para o nosso patriarca usar durante a visita do Papa Francisco a Fátima. Um luxo!

O centenário das aparições em Fátima foi a ocasião escolhida pelo Papa Francisco para nos oferecer a bênção em pessoa. Segundo recentes informações, o Papa aproveitará a visita para converter os nossos pastorinhos, Jacinta e Francisco, nos santinhos mais novos da Igreja Católica.

Poucos dias faltam para o grande momento, ultimam-se os detalhes que são agora revistos com o maior cuidado. Todas as grandes figuras do nosso burgo se preparam para o momento. D. Manuel Clemente, cardeal patriarca de Lisboa – escolhido pelo semanário “Expresso” como uma das 100 personalidades mais influentes de Portugal – será sem dúvida o grande anfitrião do Papa nesta visita. Dele é a frase “O que me preocupa mais em relação a Portugal é tudo aquilo que poderíamos ser e ainda não somos”. Tomei esta frase como ponto de inspiração e perguntei ao nosso oráculo: o que poderemos vir a ser? Em resposta visualizei um futuro sensível, optimista e arrojado.

As previsões do nosso oráculo, levaram-me a quebrar a barreira do tradicionalmente imposto pelo clero, contudo, não deixei completamente de lado a tradição histórica dos trajes eclesiásticos.

A primeira interpretação apresenta o nosso Patriarca com uma imponente casula de papel, toda ela construída com pregas em acordeão. Por baixo, escondem-se vestes em azul celeste desde os sapatos, passando pelas meias, as calças, a camisa e a batina. Na cabeça leva uma mitra simples e discreta. Aparentemente o branco representa a pureza e a luz divina e o azul da mãe de Deus, por isso, apesar de provavelmente estar a cometer uma infracção do código de cores da Igreja, pensei que esta seria a paleta mais indicada para a ocasião.

A segunda interpretação desenha o paramento tradicional do Cardeal, mas com algumas inovações. Sobre a murça vermelha utiliza uma pequena capa feita de circunferências em plástico reciclado, mas impecavelmente acabado, entrelaçando os círculos por pequenos pontos de junção, como grandes lantejoulas reflectoras de luz. Por baixo tudo é mais tradicional embora a manteleta branca de renda tenha uma longa franja em fios de prata, e a batina cardinalícia também, deixando transparecer as meias vermelhas e os sapatos pretos. Como acessórios, o tradicional barrete e a cruz peitoral.

A visita do Papa Francisco ficará sem dúvida marcada pela audácia das vestes do D. Clemente. Na verdade, o nosso Patriarca corre o risco de brilhar mais que a “noiva” o que pode abalar os alicerces da Igreja. Esperamos, contudo, que isto não afecte as estruturas do nosso santuário sagrado, pois o nosso oráculo não ilude ninguém… Portugal sabe que ainda necessita rezar, e muito, por um futuro melhor.

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